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domingo, abril 21, 2013

NÃO (2012), de Pablo Larraín



Em 1988, devido à pressão internacional, o ditador militar chileno Augusto Pinochet foi forçado a convocar um referendo sobre a sua presidência. Os líderes da oposição, juntos pelo Não, persuadiram um jovem e impertinente publicitário, René Saavedra (Gael García Bernal), a liderar a sua campanha.

Contra todas as expectativas, com escassos recursos e sempre vigiados pelos agentes do ditador, Saavedra e a sua equipa criaram um plano audacioso para ganhar a eleição e libertar o Chile.
— filmSPOT.



Última parte da trilogia assinada por Pablo Larraín — antecedida por TONY MANERO (2008) e POST MORTEM (2010, crítica aqui) —, sobre os anos de poder do General Augusto Pinochet no Chile, NÃO imerge as suas personagens numa estética visual aparentemente saída de uma produção televisiva dos anos 80 (é feito recurso ao U-Matic, precisamente o formato vídeo mais em voga na época aqui abordada) mas cujas intenções extravasam o mero truque de formalismo.

Colocando as virtudes do marketing político em plano de destaque, evidenciando-o como catalizador de inspiração, mudança e, sobretudo, fonte de criatividade (raras vezes assistimos, em Cinema, a uma encarnação do velho ditado "a necessidade aguça o engenho" tão bem conseguida), NÃO apresenta o despertar ideológico de uma nação oprimida através de vídeos de campanha e da rápida e fundamental transformação de mentalidade de um criativo. Pleno da atitude de um vendedor a princípio, o protagonista (absolutamente cativante no registo seguro e genuíno de Gael García Bernal) acaba por se render aos ideais da facção do referendo com que trabalhou e revela-se, afinal de contas, como mais uma alma entre os milhões afligidos pela natureza repressora do poder de Pinochet.

Filme histórico singular e o retrato de uma sociedade renovada, NÃO celebra, de modo natural e sem medo de ceder ao melodrama, a fé na democracia e, surpreendentemente, a verdade na publicidade.

[Filme de abertura do IndieLisboa 2013.]



sábado, maio 26, 2012

Festival de Cannes 2012 — Dia 11



Último dia de exibições dos filmes em competição. O momento das principais decisões aproxima-se.

. MUD, de Jeff Nichols (Em Competição)

Elenco e equipa técnica de MUD

O realizador Jeff Nichols

«Se existir algum tema recorrente durante todo o filme, será o amor, amor não correspondido», Jeff Nichols, durante a conferência de imprensa para MUD.

Tye Sheridan, um dos jovens protagonistas de MUD

«A very fine film about innocence, father figures and love, a work that manages to be thrilling, unsentimental and emotionally rewarding», Jason Solomons in The Guardian.

«Confidently expanding his inquiry into the essence of American masculity, Nichols' latest pressure-cooker pastoral conjures a wily figure of endangered Southern chivalry whose name is... you guessed it», Peter Debruge in Variety.

«As unmoving as it is because aims so low that it doesn’t aspire to be anything other than a competent anti-fairy tale whose paint-by-number morals are enforced by equally obvious main protagonists», Simon Abrams in indieWIRE.

. DO-NUI MAT / THE TASTE OF MONEY, de Im Sang-soo (Em Competição)

O elenco de THE TASTE OF MONEY

Im Sang-soo, sorridente apesar da recepção morna ao seu filme mais recente

«Quis que fossem capazes de criar empatia, apesar de tudo. São grotescas, mas também bastante excêntricas», Im Sang-Soo, sobre as personagens de THE TASTE OF MONEY.

A actriz Kim Hyo-Jin

«Brilliantly lighted spectacular sets, glorious photography, fast paced action and plenty of Korean star power. But there is no real story to tell here, just a bunch of old fashioned, tired clichés», Dan Fainaru in ScreenDaily.

«Even with such heady ingredients as sex, power and murder, there's little flavor to THE TASTE OF MONEY, a trite and tangled potboiler that, despite its polemical pretensions, is just a glorified Korean domestic drama with classier couture and shapelier champagne flutes», Maggie Lee in Variety.

. PALMARÉS UN CERTAIN REGARD

Todos os laureados da secção Un Certain Regard

Grande Prémio: DESPUÉS DE LUCIA, de Michel Franco



Prémio Especial do Juri: LE GRAND SOIR, de Benoît Delépine e Gustave Kervern



Prémio Un Certain Regard para Melhor Actriz: Suzanne Clément, por LAURENCE ANYWAYS (Xavier Dolan)



ex-aequo

Emilie Dequenne, por À PERDRE LA RAISON (Joachim Lafosse)



Menção Honrosa: DJECA, de Aida Begic



. PALMARÉS DA QUINZENA DOS REALIZADORES

Prémio Art Cinema: NO, de Pablo Larraín



Prémio Label Europa Cinemas: EL TAAIB / LE REPENTI, de Merzak Allouache



Prémio SACD 2012: CAMILLE REDOUBLE, de Noémie Lvovsky



Primeiro Prémio Illy para Curtas-Metragens: THE CURSE, de Fyzal Boulifa



(Menção honrosa: OS VIVOS TAMBÉM CHORAM, de Basil da Cunha).

[Fotos: Site oficial do Festival.]

sexta-feira, dezembro 30, 2011

2011 no Cinema (2ª Parte)

2011: OS MELHORES

Apesar dos tempos conturbados que a Sétima Arte parece enfrentar — desempenhos irregulares de bilheteira, a "morte" da película, o constante sentimento de desconforto na indústria —, permanece na memória o melhor que se viu e produziu em 2011.

Segue-se a habitual selecção do Keyzer Soze dos 10 melhores filmes estreados comercialmente no nosso país em 2011, justificados (e esta é a novidade deste ano) através de sequências representativas dos títulos eleitos.

O rol de obrigatórias menções honrosas, para uma efectiva compreensão do ano cinematográfico prestes a encerrar, é apenas consequência da variedade qualitativa a que assistimos.

Para debate, refutação e memória futura:

10º
POST MORTEM (Pablo Larraín)






INSIDIOSO (James Wan)






JANE EYRE (Cary Fukunaga)






SUBMARINO (Richard Ayoade)






UMA SEPARAÇÃO (Asghar Farhadi)






CISNE NEGRO (Darren Aronofsky)






O ATALHO (Kelly Reichardt)



<a href='http://www.bing.com/videos/browse?mkt=en-us&vid=921c9214-8791-40d2-b0d0-3ea47ff469cb&src=v5:embed::' target='_new' title='&#39;Meek&#39;s Cutoff&#39; Clip: &quot;Chaos and Destruction&quot;' >Video: &#39;Meek&#39;s Cutoff&#39; Clip: &quot;Chaos and Destruction&quot;</a>


ROAD TO NOWHERE — SEM DESTINO (Monte Hellman)





ex-aequo
VALHALLA RISING — DESTINO DE SANGUE (Nicolas Winding Refn)





DRIVE — RISCO DUPLO (Nicolas Winding Refn)






A ÁRVORE DA VIDA (Terrence Malick)





Menções honrosas para (e por ordem de estreia no nosso país): o melancólico e trágico BIUTIFUL (Alejandro González Iñárritu); a crueza da natureza humana em DESPOJOS DE INVERNO (Debra Granik); a sublime descoberta da beleza em POESIA (Chang-dong Lee); o onirismo do jovem protagonista de MEL (Semih Kaplanoglu); a retórica da lei da bala em TROPA DE ELITE 2 — O INIMIGO AGORA É OUTRO (José Padilha); o formalismo histórico de 48 (Susana Sousa Dias); a anarquia artística de BANKSY — PINTA A PAREDE! (Banksy); o terrorismo globetrotting de CARLOS (Olivier Assayas); a descomprometida intensidade de EU VI O DIABO (Jee-woon Kim); Hemingway, Dali e Fitzgerald em MEIA-NOITE EM PARIS (Woody Allen); o real social de SANGUE DO MEU SANGUE (João Canijo); e aquilo que não se revela à superfície em UM MÉTODO PERIGOSO (David Cronenberg).

segunda-feira, julho 18, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana.

O CÓDIGO BASE (2011), de Duncan Jones



Numa missão que para ele era totalmente desconhecida, o Capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) apercebe-se de que faz parte de um programa experimental do governo, chamado O Código Base, que lhe vai permitir viver no corpo de outro homem durante os últimos oito minutos da sua vida.

No que será, provavelmente, um dos maiores retrocessos qualitativos dos últimos anos entre primeiro e segundo filmes, Duncan Jones (que em 2009 estreou-se com o muito interessante MOON — O OUTRO LADO DA LUA) assina aqui um thriller de ficção-científica cuja intrigante premissa — o início é tremendamente eficaz no estabelecimento de suspense — acaba por ficar enredada num protagonista a quem Gyllenhaal não empresta total convicção, em sub-plots pouco favoráveis ao ritmo e num terceiro acto que desafia as próprias ideias que o filme, a princípio, "designou" como temas. Ou um caso exemplar de como alguma ficção-científica, para seu bem, não deveria levar-se tanto a sério.

POST MORTEM (2010), de Pablo Larraín



Em 1973, durante os últimos dias da presidência de Salvador Allende, Mario (Alfredo Castro), empregado de uma morgue, apaixona-se por Nancy (Antonia Zegers), artista de cabaré. Quando as tropas de Pinochet tomam controlo do Chile, Mario perde o contacto com a mulher que ama, assiste em primeira mão às atrocidades cometidas sobre os opositores do novo regime e é chamado para registar oficialmente a autópsia do estadista deposto.

Outra fabulosa proposta recente e proveniente da América do Sul, onde o sufocante trabalho visual de Larraín sobrepõe-se ao rigoroso, frio e emocional retrato do povo chileno face aos acontecimentos que servem de cenário a POST MORTEM. Desde o primeiro plano — um engenhoso "ponto de vista" da parte inferior de um tanque a transitar por uma rua onde apenas se observam detritos — até à sua aterradora conclusão, somos testemunhas do esvaziar de alma do metafórico protagonista, como raramente o cinema conseguiu tornar tão palpável. Destaque obrigatório para Alfredo Castro, actor que preenche um ecrã apenas com o olhar. Muito recomendado.

RAPT (2009), de Lucas Belvaux



Stanislas Graff (Yvan Attal), poderoso e abastado homem de negócios, é raptado. Enquanto sucumbe à privação e ao sofrimento que lhe é imposto durante a sua prisão, sequestradores, polícia e administração da empresa por ele gerida negoceiam um resgate no valor de cinquenta milhões de euros.

Sólido mas não inteiramente exemplar, Belvaux concebe um thriller político com argumento bem construído, fotografia e montagem reminiscentes de uma obra de Costa Gravas e interpretações de qualidade — sobretudo Attal, que nos faz simpatizar por uma personagem de dúbio carácter e pela enorme personificação dos efeitos físicos e psicológicos causados por um cativeiro forçado — mas nunca o eleva aos patamares multifacetados que nomes como Hitchcock ou Polanski atingiriam com este material. Merece, no entanto, visualização.

ATTENBERG (2010), de Athina Rachel Tsangari



Numa pequena cidade industrial do litoral, Marina (Ariane Labed) mantém uma relação próxima com o pai (Vangelis Mourikis), a padecer de um cancro em fase terminal. As suas únicas experiências sexuais foram adquiridas com a amiga Bella (Evangelia Randou) e encontra nos documentários de David Attenborough uma forma de compreender a vida.

Comparar ATTENBERG ao magnífico CANINO (2010) é tentador e, pela sua proximidade geográfica, formal e temática, quase obrigatório. Contudo, Rachel Tsangari destaca-se de qualquer outra semelhança ao título supracitado pela irresistível atmosfera criada, na forma como filma os cenários urbanos e naturais deste particular "microcosmos" e, acima de tudo, pelos contornos filosóficos — a dualidade sexo versus morte e os dilemas da condição humana predominam — inerentes a este conto de amadurecimento pessoal. Concluímos que se assiste a um fenomenal e excitante renascimento do Cinema Grego (afinal, não vive só de Theo Angelopoulos...) e é motivo de regozijo que a crise naquele país seja "apenas" financeira e não criativa.