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quinta-feira, novembro 29, 2012

Dezembro na Cinemateca Portuguesa



Chantal Akerman, Shohei Imamura, Kon Ichikawa, Kiriro Urayama, Jun Ichikawa, Warren Sonbert, Carlos Reichenbach, Glauber Rocha, José Mojica Marins, Abbas Kiarostami, Asghar Farhadi, Miguel Gomes, Edgar Pêra, Harris Savides.

Programação completa.

segunda-feira, março 12, 2012

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

UMA SEPARAÇÃO (2011), de Asghar Farhadi



A crónica de uma separação é um comboio em andamento sacudido para outra linha quando um casal da classe média iraniana entra em confronto com um par do operariado. O inferno é o desconhecimento dos outros. E UMA SEPARAÇÃO traz-nos imagens de uma sociedade que desconhecemos.

Multipremiado pelo Festival de Berlim (incluindo a atribuição inédita de um Leão de Prata para o elenco) e vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, UMA SEPARAÇÃO é um retrato sofisticado e emocional do Irão moderno de contornos e apelo evidentemente universais.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Óscares 2012: o comentário final



Este foi mesmo o "ano da nostalgia". E não só pelo facto de O ARTISTA e A INVENÇÃO DE HUGO, duas obras imbuídas de um profundo espírito consagratório aos primeiros anos da Sétima Arte, terem arrecadado dez estatuetas, cinco para cada um.

A ausência de um sentimento de novidade (nem se fez sentir o "apelo" a uma franja mais jovem da audiência, não obstante Justin Bieber surgir a certa altura...) na cerimónia da 84ª entrega dos Óscares da Academia começou logo na prestação de Billy Crystal como anfitrião — pela nona vez, tal como o próprio fez questão de frisar assim que pisou o palco —, a repetir a sua habitual e já saudosa routine mas sem a "chama" nem a vitalidade de outros tempos. Talvez Jack Nicholson devesse mesmo ter comparecido à cerimónia...





E por falar em repetição, o mesmo substantivo pode ser aplicado aos resultados finais deste ano. Os vencedores foram todos os esperados e nem mesmo nas denominadas categorias técnicas se pode falar em surpresas. Assim, os principais vencedores foram:

. Melhor Filme: O ARTISTA



. Melhor Realizador: Michel Hazanavicius, por O ARTISTA



. Melhor Actor Principal: Jean Dujardin, por O ARTISTA



. Melhor Actriz Principal: Meryl Streep, por A DAMA DE FERRO



. Melhor Actor Secundário: Christopher Plummer, por ASSIM É O AMOR



. Melhor Actriz Secundária: Octavia Spencer, por AS SERVIÇAIS



. Melhor Filme Estrangeiro: UMA SEPARAÇÃO (Irão)



. Melhor Filme de Animação: RANGO



A lista detalhada dos vencedores pode ser consultada neste endereço.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

2011 no Cinema (2ª Parte)

2011: OS MELHORES

Apesar dos tempos conturbados que a Sétima Arte parece enfrentar — desempenhos irregulares de bilheteira, a "morte" da película, o constante sentimento de desconforto na indústria —, permanece na memória o melhor que se viu e produziu em 2011.

Segue-se a habitual selecção do Keyzer Soze dos 10 melhores filmes estreados comercialmente no nosso país em 2011, justificados (e esta é a novidade deste ano) através de sequências representativas dos títulos eleitos.

O rol de obrigatórias menções honrosas, para uma efectiva compreensão do ano cinematográfico prestes a encerrar, é apenas consequência da variedade qualitativa a que assistimos.

Para debate, refutação e memória futura:

10º
POST MORTEM (Pablo Larraín)






INSIDIOSO (James Wan)






JANE EYRE (Cary Fukunaga)






SUBMARINO (Richard Ayoade)






UMA SEPARAÇÃO (Asghar Farhadi)






CISNE NEGRO (Darren Aronofsky)






O ATALHO (Kelly Reichardt)



<a href='http://www.bing.com/videos/browse?mkt=en-us&vid=921c9214-8791-40d2-b0d0-3ea47ff469cb&src=v5:embed::' target='_new' title='&#39;Meek&#39;s Cutoff&#39; Clip: &quot;Chaos and Destruction&quot;' >Video: &#39;Meek&#39;s Cutoff&#39; Clip: &quot;Chaos and Destruction&quot;</a>


ROAD TO NOWHERE — SEM DESTINO (Monte Hellman)





ex-aequo
VALHALLA RISING — DESTINO DE SANGUE (Nicolas Winding Refn)





DRIVE — RISCO DUPLO (Nicolas Winding Refn)






A ÁRVORE DA VIDA (Terrence Malick)





Menções honrosas para (e por ordem de estreia no nosso país): o melancólico e trágico BIUTIFUL (Alejandro González Iñárritu); a crueza da natureza humana em DESPOJOS DE INVERNO (Debra Granik); a sublime descoberta da beleza em POESIA (Chang-dong Lee); o onirismo do jovem protagonista de MEL (Semih Kaplanoglu); a retórica da lei da bala em TROPA DE ELITE 2 — O INIMIGO AGORA É OUTRO (José Padilha); o formalismo histórico de 48 (Susana Sousa Dias); a anarquia artística de BANKSY — PINTA A PAREDE! (Banksy); o terrorismo globetrotting de CARLOS (Olivier Assayas); a descomprometida intensidade de EU VI O DIABO (Jee-woon Kim); Hemingway, Dali e Fitzgerald em MEIA-NOITE EM PARIS (Woody Allen); o real social de SANGUE DO MEU SANGUE (João Canijo); e aquilo que não se revela à superfície em UM MÉTODO PERIGOSO (David Cronenberg).

domingo, dezembro 04, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. BEATS, RHYMES & LIFE: THE TRAVELS OF A TRIBE CALLED QUEST
. O QUADRO NEGRO
. RAMPART
. OS IDOS DE MARÇO
. UMA SEPARAÇÃO

--//--

. BEATS, RHYMES & LIFE: THE TRAVELS OF A TRIBE CALLED QUEST (2011), de Michael Rapaport



Documentário íntimo sobre a carreira artística e dramas pessoais dos membros de uma das bandas hip-hop mais inovadoras e influentes da última década.



O contraste entre os dois "protagonistas" não poderia ser mais saliente: Q-Tip, que se adorna impecavelmente com lenço e chapéu, ostenta aquela imagem que todos imaginam de uma estrela musical em topo de carreira; quanto a Phife Dawg, com a barba por fazer e de saúde débil, é o retrato de um ser amargurado pela rivalidade e ausência de oportunidades profissionais no mundo do hip-hop.

Tal como é habitual nos filmes dedicados a artistas e/ou músicos, a obra criativa é sempre mais interessante que os seus percursos biográficos, e o realizador Michael Rapaport (actor nova-iorquino que aqui se estreia na realização) teria sido mais incisivo caso tivesse investido maior energia na análise e especificidades da música dos já lendários A Tribe Called Quest. Contudo, quando o filme concentra as suas atenções nos problemas de saúde de Dawg — a braços com um transplante de rim derivado de uma diabetes mal controlada —, o espectador é confrontado com as segundas intenções deste documentário: uma pesarosa reflexão acerca das vicissitudes do destino, que não poupa ninguém, nem mesmo aqueles que estiveram na eminência do sucesso mundial.

. O QUADRO NEGRO (2000), de Samira Makhmalbaf



Um grupo de professores, todos homens, atravessam os caminhos montanhosos de uma região remota do Curdistão Iraniano. Carregando grandes quadro negros às costas, viajam de aldeia em aldeia à procura de alunos.



Obra reveladora da inusitada maturidade de Samira Makhmalbaf (na época da sua produção, contava apenas vinte anos), equilibra um profundo teor humanista com o absurdo, quase surreal, extraído de situações verídicas para conceber um dos filmes mais cáusticos e simbólicos sobre a importância da educação para a formação do indivíduo.

O quadro negro do título surge como a representação de uma vocação docente literalmente transportada às costas que durante o filme, e nas suas especificidades social e geográfica, assume diversas encarnações: esperança de um futuro melhor, protecção física, dote matrimonial, estabilidade financeira, vida e morte. Filmado num estilo que se poderia apelidar de "cinema guerrilha" — uma expressão que ganha duplo sentido tendo em conta o quão difícil é fazer cinema no Irão —, o argumento ensaia também, e com sucesso, a observação do estado sócio-político pré-11 de Setembro do Médio Oriente, potenciando a reflexão e debate sobre estes e outros temas.

. RAMPART (2011), de Oren Moverman



Em 1999, no auge de uma gigantesca investigação a suspeitas de corrupção na LAPD, Dave Brown (Woody Harrelson), um veterano e irascível agente da polícia, procura assegurar, simultaneamente, o bom nome da sua profissão, o bem-estar da sua família e
a sua própria sobrevivência.



O talento de Woody Harrelson, capaz de exteriorizar impulsos internos de uma personagem em arrepiantes composições físicas como poucos, só é novidade para quem tem andado distraído nos últimos trinta anos. Paradoxalmente, e no caso agora em análise, esse potencial demonstra-se como o maior obstáculo à concretização de uma obra satisfatória: "vergando" o argumento em linhas narrativas paralelas, num interminável rol de personagens secundárias e dependendo do protagonista para o seu desenvolvimento, as suas intenções morais — mal definidas desde o início — não encontram espaço de manobra nem eco substancial no espectador.

Basicamente, é uma tentativa de refazer a velha história do polícia que trilha um percurso ambíguo entre a lei e o crime. Nesse âmbito, títulos como LIGAÇÕES SUJAS (1990, Mike Figgis), POLÍCIA SEM LEI (1992, Abel Ferrara) ou DIA DE TREINO (2001, Antoine Fuqua) são mais bem sucedidos. Todavia e em última instância, RAMPART, para além de óbvio paradigma das capacidades de Harrelson, augura Moverman (que assinou, em 2009, o interessante O MENSAGEIRO) como cineasta adequado para complexas histórias sobre as delicadas interacções da humanidade no seio de um quotidiano urbano e proporciona-nos um par de boas interpretações por parte de Ben Foster (inesquecível em apenas seis ou sete minutos de ecrã) e de Brie Larson, no papel da rebelde filha mais velha do protagonista.

. OS IDOS DE MARÇO (2011), de George Clooney



Um ambicioso assessor de imprensa (Ryan Gosling) vê-se envolvido num escândalo político que ameaça a possibilidade de ascensão à presidência do candidato (George Clooney) que representa.



Tímido exercício sobre a fealdade presente na moldagem de carreiras políticas e desumanização daqueles que vivem para e dos mecanismos inerentes a campanhas eleitorais, falha na pertinência de ambos os propósitos por não conseguir criar, em todo o seu esforço de sobriedade, uma genuína atmosfera intimidatória e que, em toda a linha underacting dos actores como suposta demonstração de realidade, transforma as personagens em meras figuras de retórica.

Sem a ironia de um BULWORTH — CANDIDATO EM PERIGO (1998, Warren Beatty), nem um modelo verídico de referência que suscite reflexão sobre os tempos modernos, tal como ESCÂNDALOS DO CANDIDATO (1998, Mike Nichols) fazia, e com a ausência da visceralidade propagandista de um Oliver Stone em topo de forma, Clooney dá-se por contente em escalonar uma série de vinhetas previsíveis — ainda vivemos numa época em que a figura da "estagiária" serve de metáfora a transgressão política? — que procura ser mais solene do que na realidade é. Restam aos seguros "bonecos" de Ryan Gosling e Philip Seymour Hoffman, e um conjunto de elementos técnicos estupendos no seu minimalismo, ornamentar um título indicado para o espectador neófito em cinema político.

. UMA SEPARAÇÃO (2011), de Asghar Farhadi



Quando Simin (Leila Hatami) decide pedir-lhe o divórcio, Nader (Peyman Moaadi) contrata uma jovem mulher (Sareh Bayat) para tomar conta do seu pai doente. Desconhecendo a gravidez da nova empregada, assim como o facto de ela trabalhar sem a permissão do marido, um confronto aparentemente inócuo entre os dois desencadeará uma teia de mentiras, manipulação e acusações.



Multipremiado no último Festival de Berlim (incluindo a atribuição inédita de um Leão de Prata para o elenco), UMA SEPARAÇÃO é um retrato sofisticado e emocional do Irão moderno de contornos e apelo evidentemente universais: a burocracia dos sistemas judiciais, o papel de cada género nos seios familiar e cultural, a luta social e o legado que cada indivíduo pretende transmitir aos seus descendentes são aqui esmiuçados, da primeira à última sequência, de forma complexa mas sem nunca resvalar para o dramatismo gratuito.

O principal "golpe de génio" do filme reside na opção de Asghar Farhadi em não criar empatia entre o espectador e as personagens: UMA SEPARAÇÃO é, em parte, um courtroom drama clássico, onde as alegações e motivações de todos os envolvidos são pertinentes, e a incerteza entre facto e suposição assombra cada movimento. Pelo meio, destaca-se a visão dos acontecimentos por parte da filha de onze anos do casal protagonista, a qual revelar-se-à, no devastador e irresoluto plano final do filme, como a principal figura desta história e símbolo da vontade humana (seja ela iraniana ou mundial) das gerações futuras. Obrigatório.