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domingo, dezembro 04, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. BEATS, RHYMES & LIFE: THE TRAVELS OF A TRIBE CALLED QUEST
. O QUADRO NEGRO
. RAMPART
. OS IDOS DE MARÇO
. UMA SEPARAÇÃO

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. BEATS, RHYMES & LIFE: THE TRAVELS OF A TRIBE CALLED QUEST (2011), de Michael Rapaport



Documentário íntimo sobre a carreira artística e dramas pessoais dos membros de uma das bandas hip-hop mais inovadoras e influentes da última década.



O contraste entre os dois "protagonistas" não poderia ser mais saliente: Q-Tip, que se adorna impecavelmente com lenço e chapéu, ostenta aquela imagem que todos imaginam de uma estrela musical em topo de carreira; quanto a Phife Dawg, com a barba por fazer e de saúde débil, é o retrato de um ser amargurado pela rivalidade e ausência de oportunidades profissionais no mundo do hip-hop.

Tal como é habitual nos filmes dedicados a artistas e/ou músicos, a obra criativa é sempre mais interessante que os seus percursos biográficos, e o realizador Michael Rapaport (actor nova-iorquino que aqui se estreia na realização) teria sido mais incisivo caso tivesse investido maior energia na análise e especificidades da música dos já lendários A Tribe Called Quest. Contudo, quando o filme concentra as suas atenções nos problemas de saúde de Dawg — a braços com um transplante de rim derivado de uma diabetes mal controlada —, o espectador é confrontado com as segundas intenções deste documentário: uma pesarosa reflexão acerca das vicissitudes do destino, que não poupa ninguém, nem mesmo aqueles que estiveram na eminência do sucesso mundial.

. O QUADRO NEGRO (2000), de Samira Makhmalbaf



Um grupo de professores, todos homens, atravessam os caminhos montanhosos de uma região remota do Curdistão Iraniano. Carregando grandes quadro negros às costas, viajam de aldeia em aldeia à procura de alunos.



Obra reveladora da inusitada maturidade de Samira Makhmalbaf (na época da sua produção, contava apenas vinte anos), equilibra um profundo teor humanista com o absurdo, quase surreal, extraído de situações verídicas para conceber um dos filmes mais cáusticos e simbólicos sobre a importância da educação para a formação do indivíduo.

O quadro negro do título surge como a representação de uma vocação docente literalmente transportada às costas que durante o filme, e nas suas especificidades social e geográfica, assume diversas encarnações: esperança de um futuro melhor, protecção física, dote matrimonial, estabilidade financeira, vida e morte. Filmado num estilo que se poderia apelidar de "cinema guerrilha" — uma expressão que ganha duplo sentido tendo em conta o quão difícil é fazer cinema no Irão —, o argumento ensaia também, e com sucesso, a observação do estado sócio-político pré-11 de Setembro do Médio Oriente, potenciando a reflexão e debate sobre estes e outros temas.

. RAMPART (2011), de Oren Moverman



Em 1999, no auge de uma gigantesca investigação a suspeitas de corrupção na LAPD, Dave Brown (Woody Harrelson), um veterano e irascível agente da polícia, procura assegurar, simultaneamente, o bom nome da sua profissão, o bem-estar da sua família e
a sua própria sobrevivência.



O talento de Woody Harrelson, capaz de exteriorizar impulsos internos de uma personagem em arrepiantes composições físicas como poucos, só é novidade para quem tem andado distraído nos últimos trinta anos. Paradoxalmente, e no caso agora em análise, esse potencial demonstra-se como o maior obstáculo à concretização de uma obra satisfatória: "vergando" o argumento em linhas narrativas paralelas, num interminável rol de personagens secundárias e dependendo do protagonista para o seu desenvolvimento, as suas intenções morais — mal definidas desde o início — não encontram espaço de manobra nem eco substancial no espectador.

Basicamente, é uma tentativa de refazer a velha história do polícia que trilha um percurso ambíguo entre a lei e o crime. Nesse âmbito, títulos como LIGAÇÕES SUJAS (1990, Mike Figgis), POLÍCIA SEM LEI (1992, Abel Ferrara) ou DIA DE TREINO (2001, Antoine Fuqua) são mais bem sucedidos. Todavia e em última instância, RAMPART, para além de óbvio paradigma das capacidades de Harrelson, augura Moverman (que assinou, em 2009, o interessante O MENSAGEIRO) como cineasta adequado para complexas histórias sobre as delicadas interacções da humanidade no seio de um quotidiano urbano e proporciona-nos um par de boas interpretações por parte de Ben Foster (inesquecível em apenas seis ou sete minutos de ecrã) e de Brie Larson, no papel da rebelde filha mais velha do protagonista.

. OS IDOS DE MARÇO (2011), de George Clooney



Um ambicioso assessor de imprensa (Ryan Gosling) vê-se envolvido num escândalo político que ameaça a possibilidade de ascensão à presidência do candidato (George Clooney) que representa.



Tímido exercício sobre a fealdade presente na moldagem de carreiras políticas e desumanização daqueles que vivem para e dos mecanismos inerentes a campanhas eleitorais, falha na pertinência de ambos os propósitos por não conseguir criar, em todo o seu esforço de sobriedade, uma genuína atmosfera intimidatória e que, em toda a linha underacting dos actores como suposta demonstração de realidade, transforma as personagens em meras figuras de retórica.

Sem a ironia de um BULWORTH — CANDIDATO EM PERIGO (1998, Warren Beatty), nem um modelo verídico de referência que suscite reflexão sobre os tempos modernos, tal como ESCÂNDALOS DO CANDIDATO (1998, Mike Nichols) fazia, e com a ausência da visceralidade propagandista de um Oliver Stone em topo de forma, Clooney dá-se por contente em escalonar uma série de vinhetas previsíveis — ainda vivemos numa época em que a figura da "estagiária" serve de metáfora a transgressão política? — que procura ser mais solene do que na realidade é. Restam aos seguros "bonecos" de Ryan Gosling e Philip Seymour Hoffman, e um conjunto de elementos técnicos estupendos no seu minimalismo, ornamentar um título indicado para o espectador neófito em cinema político.

. UMA SEPARAÇÃO (2011), de Asghar Farhadi



Quando Simin (Leila Hatami) decide pedir-lhe o divórcio, Nader (Peyman Moaadi) contrata uma jovem mulher (Sareh Bayat) para tomar conta do seu pai doente. Desconhecendo a gravidez da nova empregada, assim como o facto de ela trabalhar sem a permissão do marido, um confronto aparentemente inócuo entre os dois desencadeará uma teia de mentiras, manipulação e acusações.



Multipremiado no último Festival de Berlim (incluindo a atribuição inédita de um Leão de Prata para o elenco), UMA SEPARAÇÃO é um retrato sofisticado e emocional do Irão moderno de contornos e apelo evidentemente universais: a burocracia dos sistemas judiciais, o papel de cada género nos seios familiar e cultural, a luta social e o legado que cada indivíduo pretende transmitir aos seus descendentes são aqui esmiuçados, da primeira à última sequência, de forma complexa mas sem nunca resvalar para o dramatismo gratuito.

O principal "golpe de génio" do filme reside na opção de Asghar Farhadi em não criar empatia entre o espectador e as personagens: UMA SEPARAÇÃO é, em parte, um courtroom drama clássico, onde as alegações e motivações de todos os envolvidos são pertinentes, e a incerteza entre facto e suposição assombra cada movimento. Pelo meio, destaca-se a visão dos acontecimentos por parte da filha de onze anos do casal protagonista, a qual revelar-se-à, no devastador e irresoluto plano final do filme, como a principal figura desta história e símbolo da vontade humana (seja ela iraniana ou mundial) das gerações futuras. Obrigatório.

quarta-feira, novembro 30, 2011

A "Polémica" do Mês #6

Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre NOS IDOS DE MARÇO, de George Clooney.





«Poucos são os inícios que captam logo a atenção e poucos são os finais tão penetrantes e, de certa forma, perturbantes que dão ao filme o que ele precisa: um estilo, um sentido, uma questão que não está de todo ali para ser respondida; a resposta já fora dada ao longo de todo o thriller. Para mim, este é um dos melhores filmes do ano (...)»
Marta Spínola Aguiar, Espalha-Factos.



«Apesar de algumas situações em que Clooney parece projectar o seu idealismo e activismo político na fachada do seu protagonista, transformando a cena em algo mais ou menos aplausível, ingénuo e irrealista, o argumento é especialmente incandescente nas cenas de maior tensão, absorvente e criminalmente divertido quando os políticos entram em confronto.»
Jorge Rodrigues, Dial P For Popcorn.



«Resta uma boa interpretação de Gosling e um ou outro achado, mas não chega para fazer um bom filme.»
O Projeccionista, A Última Sessão.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Hollywood Buzz #146

O que se diz lá fora sobre THE DESCENDANTS, de Alexander Payne:



«What happens is that we get vested in the lives of these characters. That's rare in a lot of movies.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«To call THE DESCENDANTS perfect would be a kind of insult, a betrayal of its commitment to, and celebration of, human imperfection. Its flaws are impossible to distinguish from its pleasures.»
Roger Ebert, The New York Times.

«THE DESCENDANTS is an ultra-polished picture in which every emotion we're supposed to feel has been cued up well in advance. There's nothing surprising or affecting about it. Not even Clooney, who works wonders with the occasional piece of dialogue, can save it.»
Stephanie Zacharek, Movieline.

«Another beautifully chiseled piece of filmmaking — sharp, funny, generous, and moving.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«THE DESCENDANTS constantly hovers on the brink of a dark comedy. But it never takes the big plug. By treading carefully, Payne has created his warmest, most earnest work, if not his best.»
Eric Kohn, indieWIRE.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Hollywood Buzz #140

O que se diz lá fora sobre THE IDES OF MARCH, de George Clooney:



«The movie's strength is in the acting, with Gosling once again playing a character with an insistent presence.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«Intriguing but overly portentous drama, which seems far more taken with its own cynicism than most viewers will be.»
Justin Chang, Variety.

«Classy and professional throughout, the technical work gracefully holds all the threads together.»
Deborah Young, The Hollywood Reporter.

«Clooney certainly brings out the best in his actors, but his driving trait as a filmmaker is that he knows what plays - he has an uncanny sense of how to uncork a scene and let it bubble and flow.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«The title suggests a dramatic Shakespearean twist, but Clooney's aims are much simpler. As he builds to a western showdown divorced from political specificity, the Manchurian-like manipulation turns IDES OF MARCH into an allegorical monster movie in which everyone's competing for the role of the monster and most people can't see it.»
Eric Kohn, indieWIRE.

sábado, setembro 10, 2011

Venice Buzz



Faltam poucas horas para o anúncio dos principais galardoados da 68ª edição do Festival de Veneza.

Independentemente do que o júri presidido pelo realizador Darren Aronofski deliberar, aqui ficam dez dos filmes mais bem recebidos pela crítica durante o certame.

Títulos a ter em atenção, e não só para os prémios...

. TINKER, TAILOR, SOLDIER, SPY (Alemanha/EUA), de Tomas Alfredson



«Right here, right now, it's the film to beat at this year's festival.»
Xan Brooks, Guardian.

. THE IDES OF MARCH (EUA), de George Clooney



«A political thriller exploring themes of loyalty, ambition and the gap between public ideals and private fallibility, it engages the brain within the context of a solid entertainment.»
David Gritten, Telegraph.

. A DANGEROUS METHOD (Alemanha/Canadá), de David Cronenberg



«Precise, lucid and thrillingly disciplined, this story of boundary-testing in the early days of psychoanalysis is brought to vivid life by the outstanding lead performances of Keira Knightley, Viggo Mortensen and Michael Fassbender.»
Todd McCarthy, Hollywood Reporter.

. TAO JIE (A SIMPLE LIFE) (China/Hong Kong), de Ann Hui



«Susan Chan and Roger Lee's script is a bittersweet, unmistakably heartfelt look at ties between people who aren't blood relations but who have in effect a mother/son bond.»
Neil Young, Hollywood Reporter.

. ALPS (Grécia), de Giorgos Lanthimos



«It'd be rash to call it a better film than DOGTOOTH, but it is, in the relative scheme of these things, a bigger one, and exciting evidence of restless formal development on the part of its director.»
Guy Lodge, In Contention.

. SHAME (Reino Unido), de Steve McQueen



«[...] a formidable, and formidably sober, provocation.»
Jonathan Romney, Sight & Sound.

. L'ULTIMO TERRESTRE (Itália), de Gian Alfonso Pacinotti



«Loosely inspired by a collection of comics from colleague Giacomo Monti, pic cleverly uses its sci-fi elements to explore people's fear of diversity and the unknown.»
Boyd Van Hoeij, Variety.

. FAUST (Rússia), de Alexander Sokurov



«[...] and since we are yet before hell, the path to get there is, remarkably, a vibrantly soulful, terrible and funny feast.»
Daniel Kasman, MUBI.com.

. WUTHERING HEIGHTS (Reino Unido), de Andrea Arnold



«Full credit to director Andrea Arnold for taking such a bold and distinctive approach to Emily Brontë's account of sweeping passion on the Yorkshire moors.»
Xan Brooks, Guardian.

. CARNAGE (Alemanha/Espanha/França/Polónia), de Roman Polanski



«Snappy, nasty, deftly acted and perhaps the fastest paced film ever directed by a 78-year-old, [CARNAGE] fully delivers the laughs and savagery of the stage piece while entirely convincing as having been shot in New York, even though it was filmed in Paris for well-known reasons.»
Todd McCarthy, Hollywood Reporter.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Hollywood Buzz #97

O que se diz lá fora sobre THE AMERICAN, de Anton Corbijn:



«Here is a gripping film with the focus of a Japanese drama, an impenetrable character to equal Alain Delon's in LE SAMOURAI, by Jean-Pierre Melville.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«It is a reasonably skillful exercise in genre and style, a well-made vessel containing nothing in particular, though some of its features - European setting, slow pacing, full-frontal female nudity - are more evocative of the art house than of the multiplex.»
A.O. Scott, The New York Times.

«Nothing really adds up, and the ending is downright absurd. You would like even the most austere, doctrinaire existential movie to earn its downbeat ending. This one fails utterly to do so.»
Kirk Honeycutt, The Hollywood Reporter.

«The film is ultimately most memorable as a vehicle for George Clooney at his steeliest, playing an assassin realizing he's being targeted by his hires. This may be a Clooney movie, but it's a very European one, and that may ultimately limit box office.»
Robert Koehler, Variety.

«What redeems the movie, and then some, is the soulful weariness of Clooney's performance, which is in some ways an earthier and less glib version of the go-go axeman from UP IN THE AIR.»
Sam Adams, Salon.com.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

NAS NUVENS (2009), de Jason Reitman



A princípio, NAS NUVENS tinha todo o aspecto de ser o feel good movie of the year, explanando relações amorosas e profissionais sob o signo do estilo cinético que Jason Reitman havia engendrado com OBRIGADO POR FUMAR (2005) e JUNO (2007). Nunca o marketing de um filme foi tão enganador...

Digo enganador porque NAS NUVENS será, provavelmente, um dos filmes mais crus a surgir com a "capa" do Classical Hollywood Style nos últimos anos. Procura analisar as escolhas que, todos os dias, determinam o nosso estilo de vida, a nossa profissão e, até, o nosso estado civil. Aborda, eficazmente, o clima de insegurança financeiro que domina a agenda informativa contemporânea. Demonstra a angústia de milhares face à ameaça da perca de postos de trabalho e como encarar, com necessária humanidade, um indivíduo e transmitir-lhe que está no desemprego. E é, acima de tudo, um estudo sobre a ausência de ligação emocional entre seres humanos num mundo cada vez mais globalizado, onde «tudo está ao alcance de um clique» e «cada cliente é um amigo».



É este ambiente (des)personalizado que Ryan Bingham (George Clooney) apelida de "lar". Executivo de uma empresa especializada na comunicação de despedimentos e downsizings — ou "orientação de carreira", como o protagonista denomina a tarefa —, Bingham emerge no ecrã como um indivíduo metódico, detentor de uma organização pessoal que roça o obsessivo e em pleno conforto quando se vê rodeado por estranhos numa fila de espera ou a bordo de um avião. Existência calculista que determina os dois grandes objectivos da sua vida: alcançar a marca dos 10 milhões de milhas de passageiro frequente da American Airlines e não embarcar numa relação sentimental, seja ela familiar ou amorosa.

Contudo, o seu panorama alterar-se-á, principalmente, pela ligação que efectua com as duas mulheres da história: Alex (Vera Farmiga), atarefada mulher de negócios com quem Bingham partilha hábitos pessoais e quartos de hotéis, e Natalie (Anna Kendrick), jovem colega de Bingham que impressiona o patrão de ambos com um esquema de videoconferência online, apropriado à comunicação de rescisões contratuais, eliminando assim o recurso às longas e dispendiosas deslocações aéreas pelos quatro cantos dos EUA que "alimentam" a vida do protagonista.



O contacto e experiências com estas duas figuras femininas, de idades e prioridades díspares, levarão Bingham a rever os seus dogmas mais básicos.

Natalie (fabulosa composição de Anna Kendrick, capaz de relegar Clooney para segundo plano sempre que partilham o ecrã), apesar da sua presunçosa e agressiva auto-estima inicial, é o protótipo da "geração educada à frente dos computadores" e, por isso, incapaz de lidar com emoções genuinamente humanas, sejam as inerentes à comunicação de um despedimento ou ao súbito término do seu namoro (ironicamente, através de um frio e distante SMS). Será Bingham quem devolverá carácter e esperança à jovem "aprendiz", evocando as mesmas estratégias que utiliza para convencer um recém-desempregado que «tudo não passa duma nova fase da sua vida». E Alex, que representa a maior perspectiva de compromisso matrimonial que alguma vez surgiu para Bingham, demonstra ser menos livre e mais libertina do que a princípio imaginaríamos.



Nestes "conflitos" narrativos, torna-se premente elogiar o trabalho de Jason Reitman na exploração da presença de George Clooney (da qual é impossível não gostar) e os traços da personagem que desempenha (de quem desejamos gostar, por ser encarnada por Clooney!), de tal modo que é difícil notar qualquer tragédia iminente. No final, percebemos que Bingham pode ser caracterizado como um anti-herói dos tempos modernos, cujo drama pessoal não o transforma na vítima maior desta história. Apoiado pelo seu habilidoso discurso directo e simpatia estampada num inflexível sorriso de conforto, o seu ganha-pão é causador de profundos tumultos nas vidas de centenas — os testemunhos na primeira pessoa desses dispensados (dos quais, a maioria é genuína), constituem os reais momentos dramáticos de NAS NUVENS.

Manifestando-se como um híbrido satisfatório de entretenimento acessível ao espectador comum e a reflexão acerca dos lucros e prejuízos no actual contexto sócio-económico mundial, NAS NUVENS resvala, a espaços, para territórios cinematograficamente mais "seguros". Do sentimentalismo (servido pelo enredo secundário do envolvimento de Bingham durante o casamento de uma das suas irmãs) à comédia de costumes, o desenvolvimento desses mecanismos é apresentado em doses equilibradas e de forma positivamente original.
Em nota pessoal, NAS NUVENS é um dos melhores filmes norte-americanos de 2009.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Hollywood Buzz #67

O que se diz lá fora sobre UP IN THE AIR, de Jason Reitman:



«UP IN THE AIR takes the trust people once had in their jobs and pulls out the rug. It is a film for this time.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«One-word reaction: bravo.»
Peter Travers, Rolling Stone.

«A slickly engaging piece of lightweight existentialism highlighted by winning turns from George Clooney and Vera Farmiga.»
Todd McCarthy, Variety.

«If anyone but George Clooney had played Ryan, we might not believe in (or like) him.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«Laughs and heartbreak meld seamlessly in this brilliant character drama.»
Stephen Farber, Hollywood Reporter.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Hollywood Buzz #63

O que se diz lá fora sobre THE MEN WHO STARE AT GOATS, de Grant Heslov:



«It actually doesn't matter if the book is truthful. It doesn't claim the paranormal powers are real. Ronson simply says some officials thought they might be -- and that if they were, we had to get there first. The movie is funny either way.»
Roger Ebert, Chicago Sun-Times.

«It’s wacky, amusing. But that’s about it. If there are truths to be drawn from the military’s use of men to locate hostages psychically, they’re not evident here.»
Manohla Dargis, New York Times.

«A serendipitous marriage of talent in which all hearts seem to beat as one.»
Derek Elley, Variety.

«THE MEN WHO STARE AT GOATS is a magical-realist sitcom war farce that ends up being about nothing but its own slovenly smugness.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«There's no doubt we need more movies for grown-ups, with jokes that don't hit us over the head, but THE MEN WHO STARE AT GOATS doesn't fit the bill. At best, it might hypnotize you into a stupor.»
Stephanie Zacharek, Salon.com.

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