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sábado, maio 19, 2012

Festival de Cannes 2012 — Dia 3



. REALITY, de Matteo Garrone (Em Competição)

REALITY (realidade) em peso

O realizador Matteo Garrone fala com os jornalistas

«Experimentamos muito com a luz e a música do filme. A grande maioria dos cenários foi inteiramente reconstruída. Existe uma fronteira ténue entre sonhos e realidade, embora nos tenhamos assegurado de que nunca abandonaríamos a mensagem principal do argumento», Matteo Garrone, sobre a natureza fabuladora de REALITY, durante a conferência de imprensa.

Nunzia Garrone, Matteo Garrone e Loredana Simioli na passadeira vermelha

«There are enough "ah-ha" moments here to impress any student of film. But in the end, it's the rich and fascinating world created by Garrone through his characters that make this such a rewarding experience», Ryland Aldrich in Twitch.

«Matteo Garrone's watchable satire on reality TV is played with gusto and heart — though is fundamentally a little predictable», Peter Bradshaw in The Guardian.

. PARADIES: LIEBE, de Ulrich Seidl (Em Competição)

Seidl durante a conferência de imprensa

«Isso não é o principal do filme. A positividade, negatividade, optimismo, pessimismo, não importam. Tentei expressar, acima de tudo isso, os sentimentos de isolamento e solidão da protagonista», Ulrich Seidl, confrontado com o pessimismo de PARADIES: LIEBE.

O elenco de PARADIES: LIEBE dançou e encantou a Croisette

«It is a grotesque, draining experience», Sasha Stone in Awards Daily.

. MEKONG HOTEL, de Apichatpong Weerasethakul (Fora de Competição)



«It's an interesting though admittedly indulgent exposition of some characteristic ideas by the Palme d'Or-winning director, the kind of thing that really could only be seen at a festival — and perhaps only Cannes, at that», Peter Bradshaw in The Guardian.

. MÜLL IM GARTEN EDEN, de Fatih Akin (Fora de Competição)



«Campaigning documentary on a mismanaged Turkish waste-disposal site will quickly seep into eco-minded festivals», Neil Young in The Hollywood Reporter.

. BEASTS OF THE SOUTHERN WILD, de Benh Zeitlin (Un Certain Regard)

Benh Zeitlin, Quvenzhané Wallis e Dwight Henry, os protagonistas de BEASTS OF THE SOUTHERN WILD presentes em Cannes

«Horribly beautiful and deeply felt, the film is a spectacular example of how much more important imagination is than budget, and it may be the first great new fairy tale on film since CITY OF LOST CHILDREN», Drew McWeeny in HitFix.

. LAURENCE ANYWAYS, de Xavier Dolan (Un Certain Regard)

Na sessão de gala de LAURENCE ANYWAYS

«This sprawling exercise in high camp is maddeningly self-indulgent in places, but also stylish and original enough to merit an Almodovar-style commercial breakthrough», Stephen Dalton in The Hollywood Reporter.

[Fotos: Site oficial do Festival.]

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Agenda Cinematográfica

:: 9500 CINECLUBE DE PONTA DELGADA ::

O TIO BOONMEE QUE SE LEMBRA DAS SUAS VIDAS PASSADAS (2010), de Apichatpong Weerasethakul



Insuficiente renal agudo, o Tio Boonmee decide passar os seus últimos dias no campo, rodeado das pessoas que ama. Surpreendentemente, o espírito da sua falecida mulher aparece para tomar conta dele, e o seu filho há muito desaparecido regressa num corpo não humano.

Procurando razões para a sua doença, Boonmee atravessa a floresta, acompanhado pelos familiares, até uma caverna no topo da montanha: o local do seu nascimento na sua primeira vida.



Hoje, pelas 21h30, no Cine Solmar.

terça-feira, agosto 23, 2011

#21



... segundo o João Lameira, do blog Numa Paragem do 28:

Para evitar os óbvios escolhos das escolhas, criei para mim mesmo um critério: seleccionar filmes formativos da minha cinefilia. O que implica, obviamente, escolher algumas obras que, nesta altura da minha vida, já não considero primas. (Mas negá-las seria negar-me). Não vou destacá-las, descubram quais são. Nos outros filmes, continuo a vislumbrar grandeza: alguns foram vistos recentemente (um, dois anos), mas não são menos marcantes.

. BLOW OUT — EXPLOSÃO
(1981, Blow Out, Brian De Palma)



O final mais triste do cinema: não é unhappy, é sad. Ou como um grito é, ao mesmo tempo, instrumento de trabalho e de maceração. Depois de OBSESSION, a descida a fundo à obsessão De Palma (a que o próprio só voltaria e força anos mais tarde com FEMME FATALE).

. ERA UMA VEZ NA AMÉRICA
(1985, Once Upon a Time in America, Sergio Leone)



A memória (deturpada), a nostalgia (desfocada), de todos os yesterdays, sobre uma amizade masculina muito perto do amor homossexual. A mulher, aqui, é só mais uma arma de arremesso.

. RIO BRAVO
(1959, Rio Bravo, Howard Hawks)



De novo, a amizade masculina: um xerife, um bêbado, um coxo e um imberbe cantor vão passando o tempo enquanto não são atacados. A mulher, aqui, não assume o mesmo papel do homem, mas batalha com ele.

. OS CHAPÉUS DE CHUVA DE CHERBURGO
(1964, Les Parapluies de Cherbourg, Jacques Demy)



O amor romântico e juvenil, e o seu reverso: a vida. A gasolina nunca cheirou tão bom, assim (en)cantada.

. CONTO DE VERÃO
(1996, Conte d'été, Eric Rohmer)



Amores juvenis e pueris numa estância balnear. Melvil Poupaud haveria de regressar à praia, para morrer. Mas, neste filme, a morte ainda vem longe e é a vida pequenina (a vida) que comanda.

. PARA ALÉM DO PARAÍSO
(1984, Stranger Than Paradise, Jim Jarmusch)



Jovens perdidos em amores mais do que de amores. Lurie, Balint, Edson. Três músicos à deriva no grande mapa americano. A Nova Iorque dos anos 80 ergue-se para a nostalgia que não tardaria.

. BASQUIAT
(1996, Basquiat, Julian Schnabel)



A nostalgia da Nova Iorque dos anos 80 em flor. Schnabel disfarça-se de personagem e filma um dos poucos artistas que foram maiores do que ele (mesmo que tivesse de morrer). Jeffrey Wright mostrou-se como o grande actor da sua geração.

. OS DIAS DA RÁDIO
(1987, Radio Days, Woody Allen)



Outra nostalgia. Outra Nova Iorque. Queens dos anos 40, ou melhor, os sons que se ouviam em Queens nos anos 40. A melhor versão de AMARCORD.

. A COMÉDIA DE DEUS
(1995, A Comédia de Deus, João César Monteiro)



Ainda outra nostalgia: de uma Lisboa que se foi e não existe, que a morte de César Monteiro ajudou a empurrar. O segundo tomo, e o melhor, da grande trilogia do senhor João de Deus.

. SYNDROMES AND A CENTURY
(2006, Sang sattawat, Apichatpong Weerasethakul)



A grande revelação dos últimos dez anos. Um prazer no e pelo cinema que não sentia há muito, o maravilhamento absoluto.

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Obrigado, João, pela tua participação!

domingo, janeiro 09, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos filmes visualizados esta semana.

OSCAR E LUCINDA (1997), de Gillian Armstrong



Em meados do Séc. XIX, os caminhos de Oscar, um pastor anglicano com obsessivo talento para o jogo, e Lucinda, uma jovem herdeira que nutre especial carinho por póquer, cruzam-se numa viagem com destino à Austrália. Ostracizados pela sociedade que os rodeia, os dois iniciam uma relação íntima, mas nunca abertamente carnal, motivada pelo seu comportamento "patológico" semelhante.

Adaptação fiel do romance de Peter Carey, o filme oferece uma crónica visualmente rica sobre regras sociais, desenvolvimento industrial, debate religioso, colonialismo e sexualidade reprimida. Ralph Fiennes, numa interpretação plena de nuances, e Cate Blanchett (no seu primeiro papel em Cinema), é convincente na pele de uma mulher determinada em vencer numa era predominantemente masculina, apesar da sua permanente expressão de menina "traquinas". Um dos títulos britânicos mais curiosos dos anos 90.

I'M STILL HERE (2010), de Casey Affleck



Em finais de 2008, Joaquin Phoenix anunciava o fim da sua carreira como actor para se dedicar ao hip-hop. Ganhou peso, deixou crescer barba e cabelo e gerou perplexidade com uma série de embaraçosas aparições mediáticas (uma entrevista a David Letterman foi convertida em antológico exemplo de suicídio público). A tudo isto, juntou-se a promessa do documentário que testemunharia o seu processo de reinvenção artística. Ou seja, este filme, prontamente revelado como mockumentary aquando da sua exibição no último Festival de Veneza.

No final, fica a sensação de que I'M STILL HERE é uma elaborada farsa sem o mínimo de propósito (se é que alguma vez existiu essa intenção) mas salva pela corajosa e voluntária "ruína pública" empreendida por Phoenix. Pena que o espectador fique sem perceber o que ganha ou perde com a experiência. Em suma, e para grande desapontamento pessoal, é totalmente evitável...

THE FIGHTER (2010), de David O. Russell



Inspirado na história verídica de 'Irish' Micky Ward, boxer oriundo de Massachussets que, após um longo e penoso anonimato, sagrar-se-ia campeão mundial. A dramatização dos factos centra-se nos principais combates que o protagonista enfrenta fora do ringue: uma família disfuncional, um meio social problemático e, sobretudo, a figura do seu meio-irmão mais velho, em tempos um promissor atleta que veio a sucumbir à toxicodependência.

Filmada de câmara ao ombro e registando os intervenientes à distância (os close-ups são quase inexistentes), a narrativa sofre pela incapacidade de nos fazer torcer por Micky. O final, que deveria ser de pujança dramática e triunfo, acaba por ser a mera e típica conclusão feliz. No entanto, THE FIGHTER é um óptimo filme de actores: Christian Bale, com o seu retrato de "caso perdido" que encontra redenção aliado a (mais uma) radical transformação física, e Melissa Leo, unindo maternidade e matriarcado de forma extremamente natural, são duas apostas seguras para os Óscares de interpretações secundárias.

UNCLE BOONMEE WHO CAN RECALL HIS PAST LIVES (2010), de Apichatpong Weerasethakul



Boonmee, a padecer de insuficiência renal aguda, resolve passar os seus últimos dias com os familiares mais próximas numa propriedade rural do norte da Tailândia. Inesperadamente, é visitado pelos espectros da mulher, a qual oferece-se para ajudar nos seus tratamentos médicos, e do filho, que regressa a casa sob a forma de um macaco-fantasma. Um dia, Boonmee decide embrenhar-se na floresta em busca de uma misteriosa caverna — provavelmente, o local de origem da sua primeira vida...

Vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, é um drama alegórico e sobrenatural sobre a fragilidade e mortalidade humanas. Hipnoticamente filmado, onde o espectador é convidado mais a sentir — e a ficar positivamente siderado — do que a identificar-se com a história ou personagens, demonstra o incondicional apego à natureza, preocupações político-sociais e surrealismo inspirado nas tradições tailandesas próprios de Weerasethakul, que aqui produz a sua obra mais madura até à data e o melhor filme asiático deste início de década.

domingo, maio 23, 2010

Festival de Cannes 2010 — Os Prémios



Tim Burton e restantes membros do Júri do 63º Festival de Cannes anunciaram, há poucas horas e durante a Cerimónia de Encerramento, os galardoados nas diversas categorias em Competição.



O "burburinho" que antecedeu a revelação acabou, na sua maioria, por se confirmar. O (cada vez mais) reputado Apichatpong Weerasethakul juntou a Palma de Ouro aos prémios anteriormente, nomeadamente o Prémio do Júri, em 2004, por TROPICAL MALADY e o Grande Prémio da «Un Certain Regard», em 2002, por SYNDROMES AND A CENTURY, pelo filme UNCLE BOONMEE WHO CAN RECALL HIS PAST LIVES, apontado pela crítica e espectadores como uma das experiências cinematográficas mais altas do presente festival, a que se acrescenta a aura fantástica que possui e capaz de ter agradado a Burton.

Os vencedores da edição de 2010 são:

  • EM COMPETIÇÃO — LONGA-METRAGEM


Palma de Ouro
UNCLE BOONMEE WHO CAN RECALL HIS PAST LIVES (Alemanha/Espanha/França/Reino Unido/Tailândia), de Apichatpong Weerasethakul.
Weerasethakul junto ao galardão mais cobiçado de Cannes.

Grande Prémio do Júri
DES HOMMES ET DES DIEUX (França), de Xavier Beauvois.
Beauvois saúda o público, após receber o seu prémio das mãos de Salma Hayek.

Prémio de Realização
Mathieu Amalric, por TOURNÉE (França).
Amalric acompanhado do 'fulgurante' elenco de TOURNÉE.

Prémio do Júri
UN HOMME QUI CRIE (Bélgica/Chade/França), de Mahamat-Saleh Haroun.
Haroun, junto de Asia Argento, é aplaudido pelo público.

Prémio de Interpretação Masculina
Javier Bardem, por BIUTIFUL (Espanha/México), de Alejandro González Iñárritu.

ex-aequo

Elio Germano, por LA NOSTRA VITA (França/Itália), de Daniele Luchetti.
Bardem e Germano felicitam-se, sob o olhar de Diane Kruger

Prémio de Interpretação Feminina
Juliette Binoche, por COPIE CONFORME, (França/Itália) de Abbas Kiarostami.
Binoche, durante o seu discurso de vitória, relembro o drama do cineasta iraniano Jafar Panahi.

Prémio de Argumento
Lee Chang-dong, por POETRY (Coreia do Sul), de Lee Chang-dong.

Palma de Ouro - Curta Metragem
CHIENNE D'HISTOIRE, (França), de Serge Avédikian.


Prémio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema)
TOURNÉE (França), de Mathieu Amalric.


Prémio Ecuménico do Júri
DES HOMMES ET DES DIEUX (França), de Xavier Beauvois.


Menções Honrosas do Prémio Ecuménico do Júri
ANOTHER YEAR (Reino Unido), de Mike Leigh.


ex-aequo

POETRY (Coreia do Sul), de Lee Chang-dong.



  • UN CERTAIN REGARD


Prémio Un Certain Regard
HAHAHA (Coreia do Sul), de Sangsoo Hong.


Prémio do Júri
OCTUBRE (Espanha/Peru/Venezuela), de Daniel Vega e Diego Vega.


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A lista completa dos laureados pode ser consultada aqui.