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quinta-feira, agosto 18, 2011

#20



... segundo a Sofia, do blog Cine 31:

Estes desafios são sempre bem-vindos... mas... complicados. Resumir listas de filmes que ADORAMOS a um número limitado é sempre uma tarefa árdua.

Depois de muito reflectir, eis a minha lista (a ordem é totalmente aleatória):


1. A LISTA DE SCHINDLER
(1993, Schindler's List, Steven Spielberg)



Por ser a história do triunfo de um homem brilhante no meio de um dos episódios mais tristes da História contemporânea. Porque Steven Spielberg conseguiu misturar de forma sublime: violência, horror e generosidade. Pela fotografia a preto e branco de Janusz Kaminski.

2. TRAINSPOTTING
(1996, Trainspotting, Danny Boyle)



Porque é o retrato de um grupo de jovens deprimidos, desiludidos e angustiados, envoltos numa sociedade preconceituosa, hipócrita e sem rumo. Aborda a amizade e a degradação dessas mesmas relações. Satírico e intemporal. Uma menção honrosa à FABULOSA banda sonora.

3. A PAIXÃO DE CRISTO
(2004, The Passion of the Christ, Mel Gibson)



Não e fácil justificar a escolha deste filme... São motivos demasiadamente pessoais e íntimos. Fui vê-lo à sala de cinema 5 vezes, e de todas as vezes, emocionei-me. Histórico, revolucionário, violento, provocador. O filme está repleto de cenários sombrios — harmonizados por uma incrível banda sonora. A fotografia de Caleb Deschanel faz-me pensar que o filme é a representação cinematográfica de um quadro de Caravaggio. Um destaque para o olhar inimitável que Maia Morgenstern dá a Maria. E um obrigado a Mel Gibson pela mestria em criar a personagem/metáfora andrógina do(a) Diabo.

4. TRILOGIA O SENHOR DOS ANÉIS
(2001, 2002, 2003, The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, The Lord of the Rings: The Two Towers, The Lord of the Rings: The Return of the King, Peter Jackson)



Digo muitas vezes que não tenho religião, tenho mitologia. Mitologia esta que é habitada por super heróis da Marvel, da DC Comics e sobretudo pelo mundo criado e imaginado pelo incrível John Ronald Reuel Tolkien. Como fã dos livros, temia o dia em que o filme ganhasse vida. A adaptação ao cinema era demasiadamente arriscada, e das duas uma, ou seria um fracasso ou transformava-se em algo épico. Graças aos Deuses, para mim Peter Jackson foi um génio — talvez por também ele, ser um fã de Tolkien consegue transmitir paixão e magia. Os cenários são de cortar a respiração, as batalhas são inesquecíveis, a caracterização e guarda-roupa invencíveis. Jackson teve na tecnologia um aliado e na fotografia de Andrew Lesnie uma arma secreta. Sim... a trilogia para mim é "homérica". Resta esperar pela peça chave — o Hobbit.

5. FORREST GUMP
(1994, Forrest Gump, Robert Zemeckis)



Sim... para muitos, Forrest Gump não é mais do que um filme patriótico e um elogio do cinema aos EUA. Eu sinceramente adoro-o. Acho-o precioso. Tom Hanks é imbatível e Gary Sinise um toque sublime ao enredo. Na sua simplicidade, ternura e até inocência, Robert Zemeckis criou um filme que é uma ode ao amor pela vida. O argumento de Eric Roth é esplêndido. É para mim um "mimo" do cinema.

6. WATCHMEN — OS GUARDIÕES
(2009, Watchmen, Zack Snyder)



Hesitei entre o 300 e THE DARK KNIGHT para o número 6 (Samuel: que forma subtil foi esta de colocar mais dois filmes na lista). Optei por WATCHMEN. Ora se existe uma graphic novel — sagrada e quase intocável — WATCHMEN, escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, é uma delas. O risco de uma adaptação ao cinema não era grande, era enorme, mas Zack Snyder conseguiu. No filme temos o mesmo cenário alternativo, maduro e pouco superficial que os "livros" nos mostraram. A narrativa é sombria, violenta, realista e actual. Os heróis, são também "anti-heróis", têm problemas comuns, amam, odeiam, traem... A fasquia das adaptações ficou elevada a um valor máximo. Snyder é surpreendente e numa palavra: visionário.

7. TRILOGIA O PADRINHO
(1972, 1974, 1990, The Godfather, The Godfather: Part II, The Godfather: Part III, Francis Ford Coppola)



Se existe coisa que gosto de observar num filme é a luz. E que brilhante trabalho teve Gordon Willis. Planos detalhadamente pensados, longos e cheios de significado — repletos de violência, mas que não é de todo, usada de forma gratuita.

Marlon Brando é brutal. A sua forma de falar, a forma como mostra os sentimentos é de uma maestria incontornável.

Coppola criou dezenas de cenas memoráveis, por vezes assustadoramente reais e violentas. Sempre que os vejo/revejo fico com um sentimento dúbio de achar que a máfia pode ser boa e cruel ao mesmo tempo... mas... como gosto deste "sentimento duplo".


8. BEN-HUR
(1959, Ben-Hur, William Wyler)



Nunca perco uma oportunidade para ver este épico do cinema. Na época da Páscoa ou Natal espero sempre ansiosamente que o repitam mais uma vez na televisão. É um espectáculo cinematográfico — uma das primeiras produções em grande escala.

Acho genial o facto de Ben-Hur ter como pano de fundo da sua narrativa a história de Jesus Cristo. Jesus aparece várias vezes no filme — sempre de costas — e com quem a personagem principal do filme, Judah Ben-Hur, se cruza em momentos emocionantes do filme.

Sejamos religiosos ou não, fãs de História ou não, uma coisa é incontornável — BEN-HUR é GIGANTE.


9. DE OLHOS BEM FECHADOS
(1999, Eyes Wide Shut, Stanley Kubrick)



Considero-o uma obra de arte de Kubrick. Repleto de momentos lentos e introspectivos, mostra uma sociedade que de perfeição tem muito pouco. Não é mais do que um mundo de aparências.

A cena da festa/orgia é — para mim — uma das mais brilhantes da história do cinema, mas os diálogos entre Cruise e Kidman não lhe ficam atrás. Em EYES WIDE SHUT mergulhamos num mundo em que se discute sonhos e realidades – brilhantemente envolto numa máscara narrativa pouco convencional, hipnótica e deslumbrante. É um filme com a "medida certa".


10. AMÉRICA PROIBIDA
(1998, American History X, Tony Kaye)



Em primeiro lugar duas palavras — Edward Norton — como ele é fantástico neste filme... para mim, a melhor interpretação da sua carreira (até hoje).

Mais do que um excelente filme, é uma lição de vida. Mostra como o ódio por aqueles
que são diferentes de nós é desnecessário e fútil. Os
flashbacks entre presente e passado (brilhantemente relembrados a preto e branco) são brilhantes. De uma violência extrema, é uma história sobre a humildade, sobre o racismo, e sobre a amizade. Sobre um mundo real e actual. Defendo que o seu visionamento devia ser obrigatório nos planos curriculares de algumas disciplinas. É imperdível e marcante pela mensagem que transmite.

--//--

Obrigado, Sofia, pela tua participação!

domingo, janeiro 16, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos filmes visualizados esta semana.

127 HOURS (2010), de Danny Boyle



Em 2003, Aron Ralston aventurou-se, sozinho, pelos canyons do deserto Moab para uma excursão de fim-de-semana. Subitamente, enfrenta o maior desafio da sua vida, quando fica preso por uma rocha que lhe esmaga o braço direito numa ravina localizada a muitos quilómetros de qualquer ajuda. Durante as horas seguintes, Ralston recorda amigos, amantes, família e as duas caminhantes que conheceu antes do acidente, até encontrar uma solução verdadeiramamente radical para a sua contrariedade.

Não sendo do melhor que Danny Boyle já apresentou, 127 HOURS oferece-nos, contudo, uma história de sobrevivência extrema sem dramatismos sofríveis nem lamentações previsíveis. Uma mise-en-scène cinética, que se desenrola em função do argumento, e um James Franco acima do razoável transformam este filme numa experiência cinematográfica eficaz e com capacidade de perdurar na memória do espectador durante dias.

BAL (2010), de Semih Kaplanoğlu



O pequeno e introvertido Yusuf é incapaz de ler em voz alta na sala de aula, os incentivos da mãe são respondidos apenas com olhares e só consegue conversar com o pai sussurrando. Esta vivência de silêncio — que o filme não decifra nem resolve — é contraposta aos perigos da profissão do pai, um apicultor que, para aumentar os seus rendimentos, viaja para uma localidade vizinha e não deixa rasto do seu paradeiro.

Vencedor do Urso de Ouro no último Festival de Berlim, trata-se de uma excelente amostra do cinema turco contemporâneo. À realista captação dos hábitos e tradições da Turquia adjacente ao Mar Negro, Kaplanoğlu injecta BAL com o onirismo do jovem protagonista, cujos sonhos e ansiedades tornam-se, aparentemente, quase proféticos. A sua fotografia ofegante e montagem de som assombrosa provam como a palavra, em Cinema, pode mesmo ser acessória.

TRUE GRIT (2010), de Joel e Ethan Coen



Mattie Ross, uma adolescente de catorze anos mas com afoiteza de quarenta, está disposta a tudo para vingar o homicídio do pai às mãos de Tom Chaney, até mesmo a contratar o Marshall Rooster Cogburn, veterano da Guerra Civil Americana e com o pior registo, nas redondezas, de vítimas mortais para um funcionário da lei. Juntamente com o Ranger LaBoeuf, que busca Chaney em proveito próprio, os três embrenham-se no deserto do Novo México e verão o seu carácter resiliente testado.

As paisagens do Texas vibram com este típico filme dos Coen inserido num Western com sabor clássico, devido às electrizantes performances de Jeff Bridges e, sobretudo, de uma revelação chamada Hailee Steinfeld, digna sucessora para Holly Hunter e Frances McDormand (duas habituées dos Coen) com futuro bastante promissor. Ostenta impecáveis registos técnicos, com destaque para a direcção de fotografia de Roger Deakins (será desta que recebe o Óscar?) e a épica banda sonora de Carter Burwell.

THE MOST DANGEROUS MAN IN AMERICA: DANIEL ELLSBERG AND THE PENTAGON PAPERS (2009), de Judith Ehrlich e Rick Goldsmith



Daniel Ellsberg foi, durante anos, um dos mais fiéis e dedicados colaboradores norte-americanos na tarefa de "travar a ameaça comunista de alastrar pelo mundo". Isto até ao dia em que testemunhou, pessoalmente, o desenrolar e consequências da Guerra do Vietname. Movido por um activismo que lhe era desconhecido, decide fornecer à imprensa um delicado estudo da CIA que denunciava as mentiras e decepções dos vários presidentes (Truman, Kennedy e Johnson) envolvidos naquele conflito do sueste asiático.

Numa época em que a actividade de Julian Assange e do Wikileaks está na ordem do dia, os factos aqui expostos revelam-se muito actuais. Com a única diferença de que a "fuga" partiu de um homem (o próprio narrador, tornando o filme ainda mais íntimo) que conheceu, e bem de perto, o sistema que denunciou. O fenomenal recurso a imagens e sons de arquivo atestam a defesa da parte que sai "lesada" neste documentário importante para compreender aquele (e o nosso?) tempo.

EXAM (2009), de Stuart Hazeldine



Oito talentosos candidatos chegam à etapa final do processo de recrutamento para uma poderosa e misteriosa empresa. Colocados numa sala sem janelas, o Vigilante informa-lhes que possuem oitenta minutos para enunciarem a resposta de uma simples questão. Enquanto o relógio entra em contagem decrescente, os candidatos descobrem os vários passados e motivos dos que foram ali reunidos, enquanto a tensão sobe na descoberta do que cada um é capaz para conquistar um "emprego de sonho".

Com uma premissa interessante e original — e inesperada metáfora sobre a actual crise de emprego —, EXAM demonstra argumentos cabais para nos manter entretidos e expectantes acerca do seu desenlace (a escolha de actores virtualmente desconhecidos contribui para essa sensação). Infelizmente, não consegue um final — o twist é muito rebuscado — à altura das altas expectativas que gera.

CATFISH (2010), de Henry Joost e Ariel Schulman



Nev, um jovem fotógrafo nova-iorquino, inicia uma estranha mas animada série de contactos on-line com Abby, uma menina de oito anos com talento precoce para a pintura. Através de e-mails, Facebook, telemóveis e demais meios virtuais, o protagonista conhece a mãe e, especialmente, a irmã mais velha de Abby, com quem inicia uma relação amorosa "à distância". Quando surgem os primeiros indícios de que nem tudo o que os monitores de computador mostram será realidade, os cineastas viverão o mês mais inesperado das suas vidas.

Contar mais é estragar o prazer de ser surpreendido por CATFISH, o melhor documentário (falso ou não, o debate prossegue...) sobre as aparências e sentimentos da nossa relação quotidiana com os veículos de relacionamento pela Internet, e o filme produzido em 2010 que realmente soube olhar para o socialnetworking e de lá extrair uma mensagem genuína sobre os tempos modernos (sim, David Fincher, esta é para ti!). Muito recomendado.

terça-feira, dezembro 07, 2010

"What are your Oscar chances?" #7

127 HOURS



Danny Boyle, que saiu glorioso em 2008 por QUEM QUER SER BILIONÁRIO?, volta a procurar mais Óscares com a história verídica de sobrevivência de Aron Ralston que, em 2003, viu-se obrigado à mais extrema das opções (a amputação do seu próprio braço) para escapar de um canyon Utah.

A positiva recepção a 127 HOURS durante as suas passagens pelos Festivais de Toronto, Telluride e Londres, juntamente com notícias de espectadores afligidos por ataques de pânico perante a natureza gráfica da cena de amputação, gerou imediato buzz favorável a uma corrida do filme pelas estatuetas.

Análise factual:

Desempenho de bilheteira: Apesar da sua limitada distribuição, 127 HOURS contabiliza, até à data, mais de seis milhões e meio de dólares no mercado norte-americano(1).

Recepção crítica: Obra com enorme consenso positivo, registando um rating de 93% pelo agregador Rotten Tomatoes(2), sendo aclamado, em várias críticas, como um dos melhores filmes do ano e uma conquista no exercício de filmar o "infilmável".

Avaliação de cenários:

Cenário provável: Deverá assegurar, sem dificuldades, as principais nomeações (Filme, Realizador e Argumento), assim como a indicação de James Franco para Melhor Actor. Não é de descartar a sua presença entre categorias técnicas.

Cenário de sonho: Embora as bolsas de apostas não coloque 127 HOURS na dianteira, os seus produtores não descartarão a hipótese de ser a grande surpresa (e vencedor) da noite. Tendo em conta a vitória relativamente recente de Danny Boyle, um novo Óscar para o realizador seria algo de categórico. O mesmo se poderia dizer de James Franco que, na história dos prémios, tornar-se-ia no primeiro indivíduo a ser anfitrião e vencedor um Óscar na mesma cerimónia.

Cenário a evitar: O total esquecimento pela Academia no momento de todas as decisões.

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Teremos um 127 HOURS com tanto instinto de sobrevivência quanto a história do homem que retrata? Muito Danny Boyle em pouco tempo será excessivo para a Academia? Partilhem a vossa opnião.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Hollywood Buzz #106

O que se diz lá fora sobre 127 HOURS, de Danny Boyle:



«To say that this movie gets under your skin is only barely a figure of speech. It pins you down, shakes you up and leaves you glad to be alive.»
A.O. Scott, The New York Times.

«While Franco can sometimes be a wild card, getting increasingly self-conscious with recent roles, his take on Ralston feels both credible and compelling; few actors could have made us care so much, or disappeared so completely into the role.»
Peter Debruge, Variety.

«All of the key creative personnel contribute to the movie's nail-biting tension and unexpectedly moving finale. Jon Harris's editing is matchless, and Rahman's score effectively heightens the emotion. Ultimately, however, it is the talents of Boyle and Franco that sock this movie home.»
Stephen Farber, The Hollywood Reporter.

«A true-life adventure that turns into a one-man disaster movie — and the darker it gets, the more enthralling it becomes.»
Owen Gleiberman, Entertainment Weekly.

«Franco is up to every bit of Boyle's challenge, capturing Aron's transition from clownish outdoorsman and party boy to an introspective chronicler of his own impending demise and a visionary lunatic.»
Andrew O'Hehir, Salon.com.

domingo, outubro 17, 2010

2010: o ano do one character movie em situações extremas?



Os próximos meses vão ser marcados por três títulos de conceito narrativo muito similar: uma única personagem, a ocupar grande parte da duração do filme e na pior situação que um ser humano pode enfrentar.

Segue a obrigatória divulgação:

. 127 HOURS, de Danny Boyle.



A "vítima": James Franco.

A "tragédia": Encurralado numa ravina de um canyon no deserto do Utah.

As expectativas: Inspirado na história verdadeira de Aron Ralston, é apontado como um dos títulos que terá presença assídua na época de prémios que se avizinha. A interpretação de James Franco é anunciada como um (senão o) dos principais trunfos do filme.

. BURIED, de Rodrigo Cortés.



A "vítima": Ryan Reynolds.

A "tragédia": Inexplicavelmente enterrado vivo, com apenas um isqueiro e um telemóvel.

As expectativas: Conheceu estreia norte-americana no passado mês de Setembro, e a crítica revelou-se dividida não só em relação ao argumento, como também ao desempenho de Ryan Reynolds. Mas ninguém negou que se trata de um exímio thriller de "adrenalina claustrofóbica"...

. WRECKED, de Michael Greenspan.



A "vítima": Adrien Brody.

A "tragédia": Após um acidente de automóvel numa recôndita floresta, acorda desorientado e amnésico.

As expectativas: Na verdade, só estreará em 2011, mas o buzz já está em ritmo acelerado. Mais uma oportunidade para observarmos a recente "veia" de Adrien Brody para o cinema de acção — e muita curiosidade em ver o resultado final daquele confronto entre o protagonista e um leão da montanha...

terça-feira, março 17, 2009

5 Momentos Memoráveis

#3: SEQUÊNCIA DE ABERTURA

A primeira sequência de um filme não só enceta o tom da narrativa, como tem proporcionado algumas das imagens mais criativas e inesquecíveis da Sétima Arte.

Partilho convosco seis convincentes exemplos de como se cativa, em poucos minutos, o espectador para uma película inteira.

Menção Honrosa: TRAINSPOTTING (1996), de Danny Boyle



Antes de arrecadar prémios atrás de prémios com as emoções de um milionário oriundo dos bairros de lata indianos, Danny Boyle começou a dar nas vistas com duas histórias sobre as peculiaridades dos subúrbios de Edimburgo: PEQUENOS CRIMES ENTRE AMIGOS (1994) e este TRAINSPOTTING. Irreverente e criativo, é um filme que nos tira o fôlego pelo seu humor negro e drama implacável. E o seu início constitui o tónico perfeito para o que TRAINSPOTTING nos proporciona durante hora e meia.



5. BLUE VELVET (1986), de David Lynch



Ninguém é tão eficaz a criar ambientes opressivos como David Lynch. Nesta que é considerada, por muitos, como a sua «obra maior», o realizador transporta-nos da visão idílica de uma pequena cidade onde abunda o providencialismo e o belo american way of life para o pesadelo de violência e destruição que se desenvolve "debaixo dos nossos pés" — uma metáfora para o submundo perverso e sujo que o protagonista Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) irá enfrentar...



4. LARANJA MECÂNICA (1971), de Stanley Kubrick



Enquanto escutamos 'Music for the Funeral of Queen Mary' interpretado num sintetizador, o protagonista Alex debita um dos monólogos iniciais mais famosos do Cinema: «There was me, that is Alex, and my three droogs, that is Pete, Georgie, and Dim, and we sat in the Korova Milkbar trying to make up our rassoodocks what to do with the evening. The Korova milkbar sold milk-plus, milk plus vellocet or synthemesc or drencrom, which is what we were drinking. This would sharpen you up and make you ready for a bit of the old ultra-violence».



3. ERA UMA VEZ NO OESTE (1968), de Sergio Leone



Em apenas seis minutos, somos brindados com todos os traços que elevaram Sergio Leone ao estatuto de "mestre" do Western Spaghetti: o ritmo ditado pelos efeitos sonoros, close-ups intensos, a aridez dos cenários e "desperados" no cerne da narrativa. Um crescendo de tensão que culmina no mais repentino e arrebatador tiroteio.



2. BARBARELA (1968), de Roger Vadim



Um dos filmes de culto mais célebres dos anos 60, os seus constantes double entendres de natureza sexual são "lançados" ao espectador logo no genérico, onde Jane Fonda (catapultada para o estatuto de sex symbol com este filme) despe o fato espacial num ambiente de gravidade zero e as letras ocultam, furtivamente, a sua nudez. Um exemplo clássico da união entre humor e erotismo.



1. O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998), de Steven Spielberg



Quando o realizador mais famoso do mundo se afasta da mágica e confortável fantasia que caracteriza a maioria dos seus filmes, o resultado é uma fulgurante abordagem ao realismo mais cruel e detalhado que se pode imaginar. A LISTA DE SCHINDLER (1993) foi o primeiro passo, mas poucos anteveriam o pesadelo que Spielberg proporcionaria quando decidiu recriar, com exactidão histórica, a invasão da Normandia pelas tropas norte-americanas...



segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Oscares 2008 Live Coverage #14

E o Óscar de Melhor Realizador vai para...



Danny Boyle, por QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Embora longe do virtuosismo que caracterizou os seus primeiros dois filmes (PEQUENOS CRIMES ENTRE AMIGOS e TRAINSPOTTING), o título que glorifica este cineasta britânico não deve nada à qualidade cinematográfica e, como tudo indica, vai ser considerado como o melhor de 2008.