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domingo, abril 21, 2013

O Cinema dos Anos 2000: O Filho, de Jean-Pierre e Luc Dardenne




A capacidade dos irmãos Dardenne em extrair das situações humanas, concebidas nos argumentos por eles assinados, autênticas fábulas morais de significado religioso e redenção humana encontra, em O FILHO, um dos seus expoentes máximos.

Numa lenta e austera exposição narrativa, sem qualquer espécie de música (nem sequer diegética) e com a câmara em constante grande plano do rosto e cabeça do protagonista, acompanhamos a crescente obsessão de Olivier, professor de carpintaria num centro de reabilitação juvenil, por Francis, um aluno recém-chegado. Os motivos para esse comportamento persecutório (desde a segui-lo pelos corredores do centro até a esgueirar-se na casa do jovem) apenas são, e muito surpreendentemente, revelados nos cinco minutos finais; mas antes desse momento, há um fabuloso crescendo de tensão, de diversas e escabrosas suspeições ou de uma bizarra busca por uma "figura filial" na sua vida, que instalam no espectador um profundo sentimento de desconforto e de incessantes probabilidades e inseguranças.

Na atmosfera de quase thriller demonstrada por O FILHO, existe igualmente, e acima de tudo o resto, uma poderosa mensagem de perdão e fé. A disciplina, primor e simpatia que Olivier empresta à sua actividade enquanto carpinteiro (uma possível leitura de associação ao Cristianismo é inevitável) revela-se aqui, e sobretudo com a conclusão do filme, como o tema fundamental explanado pelos Dardenne: uma cuidadosa lição, tanto para os alunos em reabilitação como para nós, da importância da exactidão e de empenho nas nossas vidas. Tais atitudes — a forma como agimos será sempre o que determinará as nossas existências — serão fulcrais para a remissão dos dois protagonistas, e no seio da relação pai-filho que realmente é encetada, o desenlace é marcado por um dos melhores, mais realistas e inolvidáveis exemplos de absolvição em Cinema. E não só nos anos 2000.

por Samuel Andrade.

Elenco
. Olivier Gourmet (Olivier), Morgan Marinne (Francis Thorion), Isabella Soupart (Magali), Nassim Hassaïni (Omar), Kevin Leroy (Raoul), Félicien Pitsaer (Steve), Rémy Renaud (Philippo)


Palmarés
. Festival de Cannes: Melhor Actor (Olivier Gourmet), Prémio do Júri Ecuménico


Sobre os Irmãos Dardenne

Autores centrados numa análise madura, pungente e mordaz da condição humana contemporânea, com particular enfoque na natureza das relações familiares, Jean-Pierre e Luc Dardenne têm conquistado prémios e a crítica em títulos como A PROMESSA (1996) e O SILÊNCIO DE LORNA (2008). ROSETTA (1999) e A CRIANÇA (2005) conquistaram a Palma de Ouro no Festival de Cannes.



domingo, novembro 27, 2011

Críticas da Semana

Breve resumo dos principais filmes visualizados esta semana:

. A MORTE DE CARLOS GARDEL
. UIVO
. UM MÉTODO PERIGOSO
. MARTHA MARCY MAY MARLENE
. LE GAMIN AU VÉLO

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. A MORTE DE CARLOS GARDEL (2011), de Solveig Nordlund



Nuno (Carlos Malvarez), um jovem toxicodependente em coma, está a morrer num hospital. Durante os dois dias em que se encontra entre a vida e a morte, cada um dos familiares evoca junto a ele uma teia de recordações do passado. O pai, Álvaro (Rui Morrison), apaixonado por tango, recusa-se a aceitar a morte de Nuno, deixando-se levar numa espiral de delírio e confundindo um imitador com o seu cantor de tango argentino favorito, já desaparecido: Carlos Gardel.



Se fosse necessária uma prova flagrante de que pedigree literário conceituado não resulta automaticamente em bom cinema, Solveig Nordlund acaba de a providenciar. Facilmente elegível ao estatuto de pior filme português do presente ano, não há "tango" que resista à inépcia aqui reunida, facto ainda mais surpreendente tendo em conta os talentos representativos e artísticos envolvidos. O drama central, exposto em três linhas narrativas temporalmente distintas, tolhido por personagens secundárias que nunca deveriam ter sobrevivido ao processo de adaptação do romance de Lobo Antunes e com o "fantasma" do cantor franco-argentino insondavelmente a assombrar os preceitos, esgota cedo as suas potencialidades — e o habitual registo deadpan de Rui Morrison, paradoxalmente, contribui para esse estado de coisas.

O espectador alcança todas estas confrangedoras conclusões quando se apercebe que um actor como Ruy de Carvalho foi escolhido apenas para dar vida ao "Carlos Gardel português", um conjunto de maneirismos simplistas que se expressa, maioritariamente, através de repetitivos playbacks de «Por una cabeza». Por outras palavras, esta é uma farsa encenada de modo impudente que nem busca desafiar-nos no seu artificialismo.

. UIVO (2010), de Jeffrey Friedman e Rob Epstein



São Francisco, 1957. Uma obra-prima é julgada e esse é um momento decisivo para a contra-cultura americana. O filme recria a vida de Allen Ginsberg (James Franco) e do poema Howl, explorando géneros e temas que ainda hoje são actuais: a definição de obscenidade, os limites da liberdade de expressão, a natureza da arte.



Rigoroso e criativo exemplo de crítica literária em cinema, contextualiza com imenso detalhe o polémico e revolucionário poema de Allen Ginsberg sem o "secar" por inteiro, dando, assim, azo à sua descoberta na íntegra. O mesmo acontece na recriação dos primeiros anos do movimento beatnik e, sobretudo, no protagonismo de James Franco, um irrepreensível trabalho de transformação psicológica que explica as razões da personalidade responsável pela concepção de um texto tão "inflamado".

A nível formal, a dupla de realizadores cria algo próximo de outros títulos irreverentes dedicados a fenómenos artísticos, como as visões musicais de Todd Haynes em VELVET GOLDMINE (1998) e I'M NOT THERE — NÃO ESTOU AÍ (2007) ou o biopic de Julian Schnabel sobre BASQUIAT (1996): as sequências animadas ilustrativas do poema são, a par do já referido Franco, momentos altos de um filme que no entanto arrasta-se, desnecessariamente e durante as sequências de tribunal, num manifesto em prol da genuína definição de liberdade de expressão. Fora isso, UIVO é merecedor de atenta visualização.

. UM MÉTODO PERIGOSO (2011), de David Cronenberg



Em vésperas da Primeira Guerra Mundial, Carl Jung (Michael Fassbender) decide concentrar-se nas peculiares enfermidades da bela mas extremamente reprimida Sabina Spielrein (Keira Knightley), acabando por se envolver romanticamente com ela. Entretanto, a sua visão da psicanálise entra em rota de colisão com a do próprio Sigmund Freud (Viggo Mortensen)...



Após décadas dedicadas à transformação, deformação e destruição do corpo, é quase lógico que David Cronenberg se dedique agora ao sítio onde toda aquela imagética de body horror sempre causou maior impressão: a mente humana. Analisando o triângulo amoroso-profissional entre Freud, Jung e Spielrein, o realizador canadiano proporciona-nos o filme mais atípico da sua carreira, um primoroso exercício de contenção a todos os níveis e capaz de reacender o debate sobre a validade do cinema arquitectado mais em palavras do que em imagens e desenvolvimento de situações. Na verdade, UM MÉTODO PERIGOSO é uma obra que, tal como a psique, não é imediatamente legível à superfície.

Num ritmo que emula a sociedade aristocrata reprimida de Viena e Zurique nos inícios do Século XX, o filme revela contemporaneidade na exploração de temas permanentes (estabilidade social, sucesso profissional, traumas pessoais) e vive do seu trio de protagonistas. Mortensen é impecável na composição de um Freud conservador e reticente em ceder a autoridade da ciência que fundou, Knightley equilibra cabalmente um retrato de profunda neurose e poderoso intelecto, mas é o Carl Jung de Fassbender que realmente se destaca, figura ansiosa em libertar-se dos "paternalismos" da psiquiatria mas dividido entre a razão científica e a paixão inconsciente. De visualização obrigatória, mesmo não existindo conhecimento de causa acerca dos factos explanados.

. MARTHA MARCY MAY MARLENE (2011), de Sean Durkin



Assombrada por dolorosas memórias e sofrendo de ansiedade crescente, Martha (Elizabeth Olsen) escapa ao controlo de uma seita abusiva e regressa a casa para viver com a irmã Lucy (Sarah Paulson). Contudo, os constantes pesadelos causados pela coerção psicológica daquele culto impedem uma vida normal e Martha acaba por cair num irremediável estado de pânico permanente.



Vencedor do prémio de Realização Dramática no último Festival de Sundance, é uma reflexão inteligente, ameaçadora e extremamente pungente sobre as formas como certos cultos — os contornos do representado em MARTHA MARCY MAY MARLENE nunca são devidamente esclarecidos, tornando a sua existência ainda mais inquietante — alimentam-se de vulnerabilidades psicológicas para inculcar convicções que tanto podem apelar ao nirvana budista como, logo de seguida, degradam a mente e o corpo dos seus seguidores.

Obra de terror minimalista, assinala a chegada de dois grandes talentos no panorama actual do cinema independente norte-americano: Durkin, no seu primeiro trabalho, demonstra um controlo incrível de mise-en-scène e a habilidade de perturbar o espectador através do que não se vê nem ouve; e Elizabeth Olsen (a irmã mais nova das erráticas gémeas Mary-Kate e Ashley) entrega-se a uma destemida performance, variando entre uma gama de emoções (ingénua, distante, traumatizada, inocente, perversa, feroz, etc.) sem aparente esforço, naquela que já é uma das maiores interpretações femininas do ano. Mesmo que o seu formalismo não encontre consenso alargado, MARTHA MARCY MAY MARLENE encontrará o culto que merece.

. LE GAMIN AU VÉLO (2011), de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne



Cyril (Thomas Doret), prestes a completar doze anos, tem apenas um plano: encontrar o pai que o abandonou num infantário. Conhece, por acaso, Samantha (Cécile de France), a gerente de um salão de cabeleireiros que o deixa ficar com ela nos fins-de-semana. Cyril é incapaz de reconhecer a empatia que Samantha sente por ele; contudo, só esse amor poderá acalmar a ira que cresce dentro do rapaz.



Devo confessar — para surpresa e subsequente revolta de alguns — que nunca morri de amores pelos filmes dos irmãos Dardenne. ROSETTA (1999) representou o auge do duo de cineastas que, desde então, foi explanando a mesma fórmula narrativa numa série de contos humanistas que, neste LE GAMIN AU VÉLO, revela-se rebuscada, demasiado esforçada e deliberada na perseguição do simples objectivo de nos querer fazer sentir algo.

Embora possua os seus momentos, e pontuado pela sólida interpretação do seu jovem protagonista — uma autêntica "concha" emocional na forma de um adolescente de onze anos —, o filme exibe o seu naturalismo em constante oposição à lógica mundana de acontecimentos e motivações (as razões porque Samantha decide adoptar Cyril não encontram justificação) e em direcção a uma série de desenlaces totalmente previsíveis. LE GAMIN AU VÉLO está longe de ser um mau filme, mas afigura-se como prenúncio inquietante dos limites criativos de Jean-Pierre e Luc Dardenne...

domingo, maio 15, 2011

Festival de Cannes 2011 — Dia 5



Quinto dia recheado de sorrisos, beijos, nostalgia e imprensa "saciada" — atmosfera tão positiva que nem um dos filmes mais polémicos do presente Festival conseguiu diminuir.

Jean-Pierre e Luc Dardenne (vencedores da Palma de Ouro em 1999 e 2005 por ROSETTA e L'ENFANT, respectivamente) regressam à competição com LE GAMIN AU VÉLO, drama interpretado por Cecile de France, sobre Cyril, menino de onze anos, que vive num orfanato e nutre o sonho de reencontrar o pai.

Cecile de France ladeada pelos irmãos Dardenne

Traçando comparações entre este argumento e o de L'ENFANT, a crítica acolheu-o favoravelmente, destacando a sua «simplicidade directa e explicativa», concebendo um «profundo exemplo de cinema humanista» e suscita a aposta de que o jovem protagonista Thomas Doret possa ser eleito Melhor Actor do Festival na próxima semana.

Cecile de France na conferência de imprensa

Também em competição, THE ARTIST, primeiro filme de Michel Hazanavicius, invoca a magia dos primórdios da Sétima Arte. Mudo (com excepção de duas memoráveis sequências) e a preto e branco, já é um dos principais crowd pleasers da presente edição.

Jean Dujardin e Berenice Bejo, os intérpretes de THE ARTIST

Considerado «divertido, astuto, tocante, nostálgico», mereceu longa ovação do público e, para alguns, «possui um efeito cinematográfico mais duradouro do que qualquer épico inchado em 3D». Interpretações à parte, certo é que Harvey Weinstein já adquiriu os direitos de THE ARTIST e especula-se sobre as suas hipóteses para os Óscares...

Na secção Un Certain Regarde, foi dia de conhecer MARTHA MARCY MAY MARLENE, do (mais um) estreante Sean Durkin, sobre uma jovem (Elisabeth Olsen) que após escapar ao controlo de uma seita pouco escrupulosa, não encontra conforto imediato no seu regresso à vida normal.

Elisabeth Olsen e Sean Durkin, no primeiro plano

Drama psicológico de enorme carga emocional a que ninguém ficará indiferente, ostenta «uma montagem inteligente» e «mise en scène apurada» para ilustrar a fragilidade da protagonista.

Em concurso na secção Quinzaine des Réalisateurs, CODE BLUE, da holandesa Urszula Antoniak, provocou hoje a debandada quase geral do público que assistia ao filme. Cannes não seria o mesmo sem estas "vicissitudes"...



Abordando temas como solidão, sexualidade e morte, a crítica não se deixou chocar e considera-o «absolutamente exemplar na sua construção formal». Aparentemente, um título a reter mas sempre susceptível de chocar audiências.

[Crédito de imagens: Site Oficial do Festival e AFP.]

terça-feira, maio 10, 2011

Festival de Cannes 2011 — Antevisão



Começa amanhã, e prolongando-se até 22 do corrente mês, a 64ª edição do Festival de Cannes. Palco de cerimónias cuidadosamente planeadas e ferozes disputas artísticas, o certame iniciar-se-à com a ligeireza cómico-romântica de Woody Allen mas rapidamente assumirá faceta "sombria": desde a clandestina presença e à última da hora de Jafar Panahi (realizador iraniano detido pelo regime de Ahmadinejad), passando pelo auspício de momentos desconfortáveis "oferecidos" por Almodóvar, von Trier e Dumont, até aos potenciais arrepios que as primeiras obras de Julia Leigh e Sean Durkin poderão causar, apenas uma certeza existe: vão ser os onze dias de cinema mais electrizantes do ano.

Não se adivinha tarefa fácil para o júri, este ano presidido por Robert De Niro, atribuir a Palma de Ouro. O muito aguardado regresso de Terrence Malick, a habitual "pressão" dos irmãos Dardenne ou a presença de Bilge Ceylan e Kaurismäki na Selecção Oficial prometem incerteza até ao derradeiro minuto.

Como já é tradição, o Keyzer Soze's Place acompanhará o Festival com o relato dos melhores momentos de cada dia. Por agora, segue o destaque dos principais títulos a serem exibidos na Croisette:

  • Em Competição

  • . LA PIEL QUE HABITO, de Pedro Almodóvar



    Baseado num romance de Thierry Jonquet, narra a vingança de um cirurgião plástico (Antonio Banderas) que, após a morte da esposa num acidente de viação, procura conceber uma espécie de pele humana que proteja uma pessoa de qualquer agressão.

    . HEARAT SHULAYIM, de Joseph Cedar



    A história de uma insana rivalidade entre pai e filho, ambos excêntricos professores numa Universidade Hebraica de Jerusalém. O filho é um sedento oportunista, apenas interessado nos louvores atribuídos por aquela instituição; o pai é um obstinado purista mas, secretamente, anseia pelo reconhecimento público do seu trabalho. O concurso para o prémio mais prestigiante de Israel levará os dois a um amargo confronto final.

    . ONCE UPON A TIME IN ANATOLIA, de Nuri Bilge Ceylan



    A vida numa pequena cidade é semelhante à experiência de caminhar no meio das estepes: o sentimento de que "algo novo e diferente" irá aparecer por trás de cada monte numa paisagem que se demonstra sempre igual e a estrada persistentemente monótona...

    . LE GAMIN AU VÉLO, de Jean-Pierre e Luc Dardenne



    Cyril (Thomas Doret), prestes a completar doze anos, tem apenas um plano: encontrar o pai que o abandonou num infantário. Conhece, por acaso, Samantha (Cécile de France), a gerente de um salão de cabeleireiros que o deixa ficar com ela nos fins-de-semana. Cyril é incapaz de reconhecer a empatia que Samantha sente por ele; contudo, só esse amor poderá acalmar a ira que cresce dentro do rapaz.

    . LE HAVRE, de Aki Kaurismäki



    Comédia dramática sobre um desiludido escritor (André Wilms) que decide iniciar uma respeitável, mas pouco lucrativa, carreira de engraxador de sapatos. Com o sonho de triunfar na literatura finalmente enterrado e feliz por viver junto de amigos e da esposa Arletty, o destino obriga-o a ajudar um jovem refugiado africano (Blondin Miguel).

    . SLEEPING BEAUTY, de Julia Leigh



    Conto de fadas erótico sobre Lucy (Emily Browning), jovem estudante universitária atraída para um misterioso mundo de beleza e desejo. De forma a conseguir pagar as despesas, aceita um emprego na mansão de Clara (Rachael Blake) como objecto sexual de clientes que só encontram satisfação na literal passividade de Lucy.

    . THE TREE OF LIFE, de Terrence Malick



    Jack (Sean Penn), uma alma perdida no mundo moderno, procura reconciliar-se com a sua juventude, marcada pela relação conflituosa com o pai (Brad Pitt), e entender a mais importante regra da vida que nunca poderá ser alterada: o eterno esquema de que todos fazemos parte.

    . LA SOURCE DES FEMMES, de Radu Mihaileanu



    Numa pequena aldeia entre o Norte de África e o Médio Oriente, o trabalho de subir ao alto da montanha para recolher água de uma fonte sempre esteve reservado às mulheres. Um dia, a jovem Leila (Leïla Bekhti) exorta as restantes mulheres a entrarem numa greve particular: não haverá amor nem sexo até os homens assumirem a tarefa de ir buscar a água para a aldeia.

    . ICHIMEI, de Takashi Miike



    O samurai Hanshiro (Ebizo Ichikawa) solicita licença para cometer hara-kiri no pátio da casa do senhor feudal Kageyu (Koji Yakusho). Este, relutante em aceitar essa defesa de honra, recorda a trágica história de um pedido semelhante feito por um jovem ronin chamado Motome. Mas nas costas do arrogante Kageyu, um laço vingativo formou-se entre Hanshiro e Motome...

    . HABEMUS PAPAM, de Nanni Moretti



    Após a morte do Papa, reúne-se um conclave para decidir o sucessor. O cardeal escolhido (Michel Piccoli) parece incapaz de suportar o peso de tal responsabilidade. Será ansiedade? Depressão? Simples inadaptação? Enquanto os fiéis aguardam na Praça de São Pedro pelo anúncio do novo pontífice, o Vaticano recorre a métodos pouco ortodoxos para solucionar a crise.

    . THIS MUST BE THE PLACE, de Paolo Sorrentino



    A estreia de Paolo Sorrentino (IL DIVO — A VIDA ESPECTACULAR DE GIULIO ANDREOTTI, 2008) ao leme de uma produção norte-americana centra-se em Cheyenne (Sean Penn), um próspero e reformado cantor de rock, que regressa a Nova Iorque após receber notícias da morte do pai. Descobrindo a humilhação que o falecido suportou às mãos de um oficial das SS em Auschwitz, Cheyenne percorre os Estados Unidos para enfrentar Muller, vingar o pai e redescobrir a sua própria identidade.

    . MELANCHOLIA, de Lars von Trier



    Justine e Michael (Kirsten Dunst e Alexander Skaarsgård) celebram o seu casamento com a realização de uma sumptuosa festa na casa da irmã (Charlotte Gainsbourg) da noiva. Entretanto, um planeta desconhecido ameaça destruir a Terra...

    . DRIVE, de Nicolas Winding Refn



    Duplo em Hollywood durante o dia e motorista de criminosos durante à noite, um homem solitário (Ryan Gosling) vê-se perseguido pelo homem mais perigoso de Los Angeles quando um trabalho falha redondamente. Para sobreviver, terá de se exceder naquilo que melhor sabe fazer: conduzir.

  • Un Certain Regard

  • . RESTLESS, de Gus Van Sant



    Annabel (Mia Wasikowska), a padecer de um cancro terminal, e Enoch (Henry Hopper), a recuperar da trágica morte dos pais, conhecem-se por acaso num funeral e rapidamente percebem que possuem diversos e inesperados pontos em comum. Juntos, serão capazes de conceber as suas próprias regras para enfrentar as amarguras da vida.

    . HORS SATAN, de Bruno Dumont



    Na Côte d'Opale, perto de um rio, vive um estranho homem que é ajudado por uma rapariga natural daquela região. Juntos encetarão uma série de súplicas privadas, perto de lagoas onde o diabo passeia...

    . MARTHA MARCY MAY MARLENE, de Sean Durkin



    Assombrada por dolorosas memórias e sofrendo de ansiedade crescente, Martha (Elizabeth Olsen) escapa ao controlo de uma seita abusiva e regressa a casa para viver com a irmã Lucy (Sarah Paulson). Contudo, os constantes pesadelos causados pela coerção psicológica daquele culto impedem uma vida normal e Martha acaba por cair num irremediável estado de pânico permanente.

    . THE DAY HE ARRIVES, de Sang-soo Hong



    Sang-Joon (Yu Jun-Sang), professor de Cinema numa universidade de província, viaja até Seul para se encontrar com o crítico Young-Ho (Kim Sang-Jung). Durante essa estadia de três dias, Sang-Joon trava uma série de encontros com a sua ex-namorada, cuja omnipresença torna-se quase intolerável.

    . ARIRANG, de Ki-duk Kim



    Filme íntimo e pessoal de Kim Ki-duk, no qual aborda o seu "desaparecimento" nos últimos três anos, durante os quais enfrentou diversos problemas de saúde.

    . ET MAINTENANT, ON VA OÙ?, de Nadine Labaki



    Situado num país devastado pela guerra, esta é a história da determinação de um grupo de mulheres em proteger a sua comunidade das forças divisoras que ameaçam ruir aquela união. Mas quando os eventos assumem contornos trágicos, até onde irão estas mulheres para evitar um sangrento tumulto?

    . LOVERBOY, de Catalin Mitulescu



    Luca (George Pistereanu) tem 20 anos, reside numa pequena cidade junto ao Danúbio e seduz mulheres para depois vendê-las a uma rede de tráfico humano que opera no Mar Negro. Quando conhece e apaixona-se por Veli (Ada Condeescu), Luca decide rever o seu estilo de vida.

    . TRABALHAR CANSA, de Marco Dutra e Juliana Rojas



    Helena (Helena Albergaria), jovem dona de casa, decide abrir a sua própria mercearia. Para dedicar-se ao negócio, contrata Paula (Naloana Lima) para tomar conta da filha. Mas quando o seu marido Otávio (Marat Descartes) é subitamente demitido, as relações entre estas três personagens alteram-se e acontecimentos perturbadores ameaçam a rentabilidade do estabelecimento.

  • Fora de Competição

  • . MIDNIGHT IN PARIS, de Woody Allen



    Comédia romântica sobre uma família americana que viaja em negócios para Paris. Aí, um jovem casal (Owen Wilson e Rachel McAdams) é forçado a testar a ilusão de que uma vida diferente é sempre melhor que a actual.

    . THE BEAVER, de Jodie Foster



    Atormentado pelos seus "demónios interiores", Walter Black (Mel Gibson), em tempos um chefe de família e executivo bem sucedido, cai numa profunda depressão. Por mais que se esforce, Walter parece não ser capaz de se reencontrar... até que a marioneta de um castor entra na sua vida.

    . PIRATES OF THE CARIBBEAN: ON STRANGER TIDES, de Rob Marshall



    A enigmática Angelica (Penélope Cruz) obriga o Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) a embarcar numa imprevisível viagem em busca da Fonte de Juventude.

    . IN FILM NIST, de Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb



    Um dia na vida do cineasta Jafar Panahi, antes da celebração do Novo Ano Iraniano.

    . LES BIEN-AIMES, de Christophe Honoré



    Da Paris dos anos 60 até à Londres do Século XXI, Madeleine (Catherine Deneuve) e a sua filha Vera (Chiara Mastroianni) entram e saem da vida dos homens que amam. Mas nem todas as épocas permitem sentir o amor com a mesma ligeireza. Como resistir ao tempo que corrói os nossos sentimentos mais profundos?

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    O programa completo do Festival, nas suas várias secções, pode ser consultado aqui.

    [Fontes: sinopses traduzidas a partir da informação disponível no site oficial do Festival; imagens retiradas do Mubi.]

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