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terça-feira, dezembro 13, 2011

#33



... segundo as palavras do Gonçalo Trindade, duplamente nomeado nos TCN Blog Awards 2011 para Melhor Iniciativa (entrevista a John Carpenter) e Melhor Crítica (A Árvore da Vida), do Ante-Cinema:

Sem ordem específica. Hoje, são estes. Amanhã, provavelmente seriam outros.

. OLDBOY — VELHO AMIGO
(2003, Oldboy, Chan-wook Park)



Marcante. É um filme que vi inúmeras vezes, e de longe um dos meus filmes favoritos. É daqueles filmes que me parece audiovisualmente perfeito, em que o realizador tem controlo completo sobre cada aspecto, da fotografia à banda-sonora, das interpretações ao argumento. Tem cenas que me estão marcadas a fogo na memória. Ainda me lembro muito bem do impacto que teve na altura. Demorei dias até conseguir colocar o queixo no sítio certo.

. CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



O primeiro filme que alguma vez me fez chorar. Sou profundamente susceptível ao sentimento de nostalgia, e sendo este filme o que é, era inevitável que me tivesse marcado como marcou. Um filme sobre o amor pelo cinema, visto por mim numa idade em que esse amor começava a despertar verdadeiramente. Mesmo hoje em dia, comove-me profundamente.

. SAGA A GUERRA DAS ESTRELAS
(1977, Star Wars, George Lucas, 1980, Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back, Irvin Kershner, 1983, Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi, Richard Marquand)



Tinha de aqui estar, claro. A saga da minha infância, que cresci a ver com o meu pai, e que ainda hoje povoa por completo a minha imaginação. Para mim, talvez a grande saga de aventuras do cinema. Ainda sorrio como uma criança de sete anos quando o Darth Vader atira o Imperador para o abismo, e ainda fico entusiasmado quando o Luke destrói a Estrela da Morte. São filmes que ficarão comigo para o resto da vida. Apesar de o Lucas não estar muito a favor disso, mas isso já é outra história.

. OS SETE SAMURAIS
(1954, Shichinin no samurai, Akira Kurosawa)



O meu filme de acção predilecto. Vê-lo no cinema, na primeira vez que fui à Cinemateca, foi uma experiência que nunca hei-de esquecer. É daqueles que estaria sempre nesta lista, em qualquer dia da semana.

. AURORA
(1927, Sunrise: A Song of Two Humans, F.W. Murnau)



Oh Deus, onde é que eu começo com este? Mais uma vez, é um filme perfeito, sem falhas, tão honesto e simples quanto revelador de uma mestria exemplar por parte do Murnau, como contador de histórias. Passei anos a querer vê-lo, e só o fiz há cerca de três anos, quando um grande amigo meu me deu o DVD. Fiquei num misto de encanto e lágrimas, e creio que tem verdadeiramente alguns dos momentos mais memoráveis que alguma vez verei num filme. Demasiado belo.

. OS QUATROCENTOS GOLPES
(1959, Les Quatre Cents Coups, François Truffaut)



Repito o que disse em relação ao SUNRISE: demasiado belo. É tão simples quanto isso.

. ANNIE HALL
(1977, Annie Hall, Woody Allen)



Melhor argumento de sempre? O meu favorito do Allen, e um filme que me parece rigorosamente genial desde o primeiro ao último segundo. Literalmente, do primeiro ao último. Ainda o revejo imensas vezes.

. A VIAGEM DE CHIHIRO
(2001, Sen to Chihiro no kamikakushi, Hayao Miyazaki)



Era entre este e o CASTLE IN THE SKY... e este ganhou, porque foi o primeiro. Foi este o filme que me fez apaixonar pelo seu cinema, e que teve o impacto imediato de começar a idolatrar o homem. Ainda hoje em dia fico com lágrimas nos olhos quando o vejo, e descubro facilmente novos pormenores que fazem com que adore o filme ainda mais.

. THE FOUNTAIN — O ÚLTIMO CAPÍTULO
(2006, The Fountain, Darren Aronofsky)



Tinha de aqui estar. Perfeição audiovisual, que tem no seu cerne um coração do tamanho do mundo. Isto é, afinal, uma história de amor. Um dos poucos filmes que me arrebataram verdadeiramente, em todos os aspectos. Põe-me lágrimas nos olhos enquanto me deslumbra os sentidos.

. O MUNDO A SEUS PÉS
(1941, Citizen Kane, Orson Welles)



O meu filme favorito, ponto. Tenho um fascínio absoluto por cada plano, cada linha de diálogo, e acima de tudo pelo homem que é Charles Foster Kane. A personagem bigger than life por excelência, para mim a representação perfeita do quão impossível é, e sempre será, compreender verdadeiramente alguém. Fascina-me verdadeiramente.

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Obrigado, Gonçalo, pela tua participação!

segunda-feira, dezembro 05, 2011

#32



... segundo as palavras da Inês Moreira Santos, colaboradora do Espalha-Factos:

Aqui ficam os 10 filmes da minha vida, sem qualquer ordem de preferência. A estes poderiam juntar-se tantos outros, mas tendo eu que (hoje) escolher apenas 10, são estas as minhas escolhas.

. ANNIE HALL
(1977, Annie Hall, Woody Allen)



Woody Allen no seu melhor. ANNIE HALL não podia deixar de entrar na minha lista por tudo o que é. Um dos meus filmes favoritos.

. O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE
(2001, Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet)



Há tanto para dizer sobre este filme, mas "mágico" assenta-lhe bem e já diz muito. A vida da Amélie faz-nos sonhar.

. CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



O retrato do amor pelo cinema (e não só). É daquelas escolhas onde não tive qualquer dúvida.

. O GABINETE DO DR. CALIGARI
(1920, Das Cabinet des Dr. Caligari, Robert Wiene)



O início do cinema de horror, o Expressionismo Alemão, um marco na história do cinema. Até de inspiração para Tim Burton criar EDWARD SCISSORHANDS ele serviu. Tudo boas razões para gostar tanto deste excelente filme mudo.

. PULP FICTION
(1994, Pulp Fiction, Quentin Tarantino)



Tudo neste filme é genial, as histórias, toda a linha que as liga, o elenco, o humor negro que caracteriza o realizador... Provavelmente o melhor filme de Tarantino.

. BLUE VALENTINE — SÓ TU E EU
(2010, Blue Valentine, Derek Cianfrance)



Pode ser uma das escolhas mais controversas desta lista, mas este é, definitivamente, um dos filmes da minha vida. Tão real e, por vezes, duro. Gosto mais dele a cada visualização, por muito blue que possa ser.

. JANELA INDISCRETA
(1954, Rear Window, Alfred Hitchcock)



Aqui poderia estar qualquer outro filme de Hitchcock. Escolhi este em especial por ter sido o primeiro que vi do mestre.

. LARANJA MECÂNICA
(1971, A Clockwork Orange, Stanley Kubrick)



Como estou sempre a dizer que gosto de loucos, nunca poderia de deixar de adorar este filme. E como também gosto de génios, Kubrick não poderia deixar de figurar aqui. Um dos meus favoritos de sempre.

. OS DIAS DA RÁDIO
(1987, Radio Days, Woody Allen)



E Woody Allen, mais uma vez. Recorrendo a MIDNIGHT IN PARIS, gostava de passar uns dias na era da rádio que sempre me fascinou. E RADIO DAYS transporta-nos tão bem para essa realidade.

. O GRANDE PEIXE
(2003, Big Fish, Tim Burton)



Mais uma vez a fantasia marca presença na minha lista. BIG FISH está cheio de beleza e magia, e é inevitável que nos deixemos encantar pelas histórias do protagonista.

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Obrigado, Inês, pela tua participação!

quinta-feira, dezembro 01, 2011

#31



... segundo as palavras do Pedro Afonso, do blog Laxante Cultural:

Uma pequena introdução para explicar o critério de selecção destes filmes. Para mim, a criação de uma lista deste tipo serve apenas para definir o autor da escolha. Não são necessariamente os melhores filmes que eu já vi, mas são aqueles que mais me marcaram, por uma razão ou outra, no meu crescimento enquanto amante de cinema e posteriormente cinéfilo. Provavelmente estão aqui estes apenas porque os vi na altura certa, mas isso não invalida o facto de ser uma lista que acaba por definir a minha identidade enquanto cinéfilo, e, porque não, enquanto ser humano. Todos (excepto o último, já vão perceber porquê) são filmes a que volto de vez em quando, quanto mais não seja para reviver os momentos de descoberta de aspectos do cinema que todos eles me proporcionaram. Eis a lista...

1. REBECCA
(1940, Rebecca, Alfred Hitchcock)



Este filme (a par com CASSANDRA CROSSING de George P. Cosmatos, 1976) é a memória mais antiga que eu tenho de um momento em que um filme foi para mim a coisa mais importante do mundo. Saber como acabava, era tão urgente para mim como o ar que respirava, devorando cada cena do filme como uma pista, sentado na ponta da cadeira e deixando-me aprisionar pelo suspense. Deveria ter entre os 7 e os 9 anos quando os vi, nas sessões de cinema da RTP Açores, e nunca mais me esqueci das sensações que me despertaram. Está aqui este, porque dos dois é aquele que revi muitas vezes ao longo dos anos, descobrindo sempre novos pormenores que fundamentavam aquelas sensações. Quanto ao outro, hei-de voltar a ele um dia.

2. VEIO DO OUTRO MUNDO
(1982, The Thing, John Carpenter)



Foi o filme que (a par com AN AMERICAN WEREWOLF IN LONDON de John Landis, 1981) complementou aquelas sensações com outra ainda mais profunda: o medo. Foram ambos vistos poucos anos mais tarde nas mesmas circunstâncias, mas recordo como se fosse hoje o desafio de não querer perder nenhum segundo, lutando contra mim próprio para não desviar os olhos da televisão. Esse desafio, de me testar a ver cinema, é uma das bases da minha paixão por esta arte. Com o passar dos anos, o filme do Carpenter foi ganhando mais importância (principalmente com o aparecimento da versão de coleccionador em DVD, cujo making of é um dos melhores de sempre) por me aprofundar o interesse pelos aspectos técnicos por trás de um filme.

3. CASABLANCA
(1942, Casablanca, Michael Curtiz)



Não me lembro exactamente de quando o vi, mas este é um filme a que volto inúmeras vezes e que não perdeu a frescura da primeira. É um dos filmes que me definiu como um romântico, e cujo desfecho me despertou para o sacrifício que o amor implica. Além disso, é um filme perfeito em todos os aspectos, o que me dá um prazer enorme quando a ele volto.

4. A MOSCA
(1986, The Fly, David Cronenberg)



Foi o filme que me abriu os olhos para o conceito de autor. Vi-o no cinema com 13 ou 14 anos (nesta altura os filmes demoravam algum tempo a chegar a Angra do Heroísmo), e fez-me muita confusão ver um filme de terror que, mais do que me assustar, me inquietou. Querer perceber porque é que este era um filme de terror diferente de todos os que já tinha visto, foi o ponto de partida para uma viagem de descoberta que só acabará quando morrer. Além disso é uma estória de amor bizarra, em que o amor dá lugar à loucura. É sem dúvida o mais importante dos filmes desta lista para mim, e constará certamente de todas as listas que eu possa vir a fazer.

5. ASSALTO AO ARRANHA-CÉUS
(1988, Die Hard, John McTierman)



Só quem viu este filme no cinema, na altura da sua estreia, pode perceber a sua importância. Sendo um profundo conhecedor do cinema de acção da altura (de todos os Rambos e Comandos e afins), não estava preparado para a pedrada no charco que foi o ASSALTO AO ARRANHA-CÉUS. A cena da morte do Takagi abalou todos aqueles que procuravam divertimento num filme de acção e fez com que, no género, deixasse de haver personagens a salvo. Mais do que isso, este filme é perfeito em todos os aspectos, do argumento à realização, passando pelas interpretações ou pelos efeitos especiais. É um prazer absoluto e é um dos poucos filmes que comprei em todos os formatos (Vhs, DVD e Blu-ray) de cinema em casa por que já passou a minha vida de cinéfilo.

6. PSICO
(1960, Psycho, Alfred Hitchcock)



Outro filme que tenho em todos os formatos (em Vhs cheguei a comprar três edições diferentes). É, para mim, o mais perfeito dos filmes. Desde a concepção e as histórias de bastidores, às opções tomadas por Hitchcock no sentido de provocar reacções no espectador e que, passados mais 50 anos, continuam a resultar em cheio. É o poder da manipulação através da arte no seu estado mais puro, sem facilitismos e com enorme personalidade. Tudo no filme resulta e é brilhantemente executado, desde os facilmente reconhecíveis acordes musicais às imagens icónicas inesquecíveis.

7. MORRER EM LAS VEGAS
(1995, Leaving Las Vegas, Mike Figgis)



A par com LES NUITS FAUVRES (Cyril Collard, 1992), são histórias de amor reais e trágicas que têm como pano de fundo o desejo de auto destruição de uma das personagens principais. Mas se no filme de Collard esse desejo apenas precipitava uma inevitabilidade, no de Figgis nunca nos é dada uma razão válida que nos permita aceitá-lo. É a outra face da moeda para o sacrifício final de CASABLANCA, e um segundo despertar para a fatalidade que o amor encerra. Além disso, estes dois filmes são muito carnais e, talvez por isso, vertiginosos nas emoções.

8. SETE PECADOS MORTAIS
(1995, Se7en, David Fincher)



Um dos filmes mais maquiavélicos alguma vez escritos. O argumento de Andrew Kevin Walker, apesar de ser um dos mais inteligentes thrillers já filmados, não poupa ninguém. Todo o desenrolar da narrativa não nos prepara para um desfecho que, de tão horrendo, dificilmente esquecemos. O ritmo imposto por Fincher é milimetricamente perfeito (como sempre) e não há uma única falha a apontar na sua concepção e execução. É um daqueles filmes que me faz sentir muito pequenino enquanto artista em potência, e a que volto muitas vezes a ver se aprendo alguma coisa.

9. SACANAS SEM LEI
(2009, Inglorious Basterds, Quentin Tarantino)



Além de ser outro filme que eu considero perfeito, há um factor que faz com que apareça nesta lista: a irreverência e atrevimento com que, mesmo que apenas através da arte, seja colocada alguma justiça na história. Tarantino é provavelmente o meu realizador vivo predilecto, mas aqui excedeu todas as expectativas. Além do mais, apesar de ser um filme mosaico (muito ao seu estilo), no sentido de reunião de referências e de conciliação de diferentes estórias, nunca perde o seu objectivo e atrai-nos para um clímax que nunca suspeitámos ser possível. No fundo, naquele momento, numa sala de cinema, somos abruptamente atirados da realidade para a ficção enquanto Tarantino nos diz que quem manda aqui é ele. É preciso ter tomates.

10. CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



Este é um filme que entra na lista dos 10 filmes da minha vida de uma forma peculiar. Não é um dos filmes que mais gosto (pelo menos para estar nos 10 primeiros), nem um dos que me influenciou enquanto cinéfilo. NUOVO CINEMA PARADISO está aqui porque é esta a minha história, sem tirar nem pôr. Toda a minha infância, juventude e adolescência foi passada num cinema, o Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral em Angra do Heroísmo, que o meu pai geria. Foi ele o meu Alfredo e o grande responsável pela minha paixão pelo cinema. Conheci todos aqueles personagens, com outros nomes e rostos, mas com as mesmas atitudes e comportamentos. Também eu recolhia e guardava pedaços de película espalhados pelo chão da sala de montagem. Também eu fugia para a sala de projecção tentando perceber como toda aquela magia funcionava. A dada altura, até por lá passou um projeccionista chamado Salvador, como na fase adolescente do protagonista. E tal como no filme, tudo isto teve um final pouco feliz. Há pouco mais de um ano, também eu voltei a Angra para o funeral do meu Alfredo, e também fui espreitar a Fanfarra. Aquela sala, da qual guardo as mais gratas e inesquecíveis memórias, está hoje a céu aberto depois de um incêndio que a consumiu há alguns anos. Resta a parte da frente do edifício e a parte traseira, do palco. Aquela sala à moda antiga, com plateia e balcão e imenso ar para respirar, onde me formei como cinéfilo e ser humano, existe apenas nas minhas gratas memórias. A paixão, essa ficou. E já de cá não sai.

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Obrigado, Pedro, pela tua participação!

quinta-feira, julho 21, 2011

#18



... segundo o Filipe Coutinho, do blog Cinema is my Life:

Nestas andanças costuma-se dizer que a lista que escolhemos é "a lista de hoje", ou seja, se a escolhessemos noutro dia, os nomes que figuram nela seriam distintos. Embora isso seja verdade, e por muito que custe fazer as escolhas, apresento aqui os dez filmes da minha vida. Não são os melhores da história, e provavelmente nem são os meus favoritos, mas são aqueles, que num dado período da minha vida, me fizeram acreditar no cinema, que me marcaram de uma determinada forma. E nesse particular, também é um dos meus critérios. Vários filmes marcaram-me ao mesmo nível mas pretendo, com esta selecção e trabalho de introspecção, indicar os filmes que me marcaram a níveis diferentes. Obviamente, muitos e bons filmes estão por ver e, como tal, daqui a uns anos os filmes que marcaram serão outros, mas hoje, aqui e agora, estes são os 10 filmes da minha vida:

1. CLUBE DE COMBATE
(1999, Fight Club, David Fincher)



Life changing Fight Club. Não são poucos os indivíduos a afirmá-lo. A subversiva obra de Fincher marcou-me profundamente numa altura em que a minha mentalidade estava a ser moldada. Para o bem ou para o mal, a mensagem pegou, mas mais do que isso, Fight Club fez-me olhar para o cinema com outros olhos, fez-me ver para além do entretenimento, do sexo e da violência. Fight Club mostrou-me o cinema como um media, o mais poderoso deles todos. Se hoje estudo, vivo e respiro cinema, tenho Fight Club a agradecer por isso, a Fincher, a Pitt, a Norton, a Uhls e a Palahniuk e a todos os que tornaram esta fita possível, já que sem ela, eu não seria o mesmo, sem ela, a pessoa em que me tornei nunca existiria. Fight Club não é o meu filme favorito mas é, sem qualquer margem para dúvidas, o filme da minha vida por excelência.

. CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



Muito provavelmente a experiência mais emocionalmente avassaladora que tive. Nunca um filme me tocou tanto. Não sei se é pela homenagem que faz ao cinema e à sua história, se é pela bela fábula que cria ou pela nostalgia que emana. Provavelmente são todas essas razões juntas e mais algumas. Certo é que apenas o vi uma vez. E não pretendo voltar a rever, pelo menos não num futuro próximo. Talvez seja o medo de não corresponder à experiência anterior ou mesmo a incapacidade de a repetir, mas as memórias de que dela guardo são muito vívidas e reais, e é tudo o que necessito para manter o filme vivo na minha mente. Afinal, Nuovo Cinema Paradiso não é bem um filme, é uma experiência, uma ode ao amor, seja ela pelo que for, uma ode ao ser humano e pela crença na bondade. E, como cereja no topo do bolo, tem, na minha opinião, o melhor término de fita de todos os tempos, aquele que em menos de três minutos resume uma história de mais de 100 anos.

. BOOGIE NIGHTS — JOGOS DE PRAZER
(1997, Boogie Nights, Paul Thomas Anderson)



Paul Thomas Anderson, o melhor contador de histórias do panorama do cinema americano actual. E que bela história é Boogie Nights: provocadora, honesta, épica e global e brilhantemente contada. São muitas e de grande qualidade as cenas memoráveis, seja aquele fabuloso plano-sequência de abertura ou um Alfred Molina drogado a cantar Jessie’s Girl de Rick Springfield (o argumento apontava para REO Speedwagon); e não menos bom é o diálogo e a estrtura narrativa. Mas o que torna Boogie Nights num dos filmes da minha vida é a capacidade de PTA em interligar as vidas de personagens tão distintas de forma tão genial à medida que usa música para contar a sua trama. Sim, porque sou um acérrimo defensor de que o cinema é mais do que uma imagem, é a conjugação de sons e imagens, e sons não incluem apenas reverbações diegéticas ou composições sonoras. Sons também significam músicas. E se Tarantino ficou famoso pela sua banda sonora, creio ser PTA o verdadeiro entededor na conjugação de música e imagem. E mais do que There Will Be Blood ou Magnolia é, para mim, Boogie Nights o seu melhor filme, o filme que me mostrou a força que a música dá uma imagem, o filme que consegue roçar a barreira do politicamente incorrecto sem nunca a ultrapassar ou cair no mau gosto. Não é uma obra fetichista. É uma obra de um cineasta maduro que sabe contar uma história. E o que é o cinema se não um agregado de histórias?

. O TOURO ENRAIVECIDO
(1980, Raging Bull, Martin Scorsese)



Sempre fui um apaixonado pela fotografia a preto e branco e desde o término dos anos 60 não jamais vi um uso tão apropriado e distinto da mesma. Raging Bull é extraordinariamente fotografado e, inegavelmente, aquele preto e branco não é meramente uma questão estética mas, em instância última, enaltece a história de um protagonista condenado desde os seus primórdios. Raging Bull é também o meu biopic favorito. Sempre detive um especial apreço pela possibilidade de ver grande histórias no grande ecrã. E sejamos sinceros, que histórias são melhores do que aquelas baseadas em eventos reais e indivíduos de carne e osso? Mas nem todos os realizadores e argumentistas têm a sensabilidade suficiente para contar uma história em pouco mais de duas horas. Mas Scorsese e Schrader tiveram, e o resultado foi uma das películas mais perfeitas da história do cinema dotada também de uma das suas melhores interpretações, o grande De Niro que se sacrificou pelo papel de uma vida. As características do filme não o fazem uma das fitas da minha vida. Mas a experiência que tive quando o vi fazem. "You didn’t get me down Ray. You didn’t get me down!" diz LaMotta no célebre combate ante Sugar Ray Robinson. E eu tremi nessa cena: a honra, a dignidade, o espírito de sacrifício, a luta interna e externa... É só uma cena mas há muitas, demasiadas para descrever, demasiadas para explorar os arrepios que senti quando vi este poderosíssimo retrato.

. A DOCE VIDA
(1960, La dolce vita, Federico Fellini)



Ouço a música de Nino Rota enquanto escrevo estas palavras. Fellini, quem mais, para conceber este imaginário, para criar uma obra divida em tantos e tão bons actos (7 para ser mais preciso), para dar origem a uma legião de fãs, para mudar o rumo do jornalismo internacional, para criar algo tão trágico, sedutor e ousado? La Dolce Vita detém tantas camadas e tão distintas que, por vezes, o tom leviano que as acompanham pode ser muito enganador. Ainda assim, é brilhante a todos os níveis, um verdadeiro feito no âmbito da sátira à classe ociosa num período complicado da história Italiana. Um pouco à semelhança de Amarcord, La Dolce Vita é o retarto de um tempo, de um tempo agridoce, irónico e sarcástico. O boémio e o embuste andam de mãos dadas, o que é particularmente bem resumido na fabulosa sequência final, também denominada como "orgia na praia". Por quê um filme da minha vida? Porque me disse muito sobre a sociedade e porque me fez descobrir o cinema italiano, um dos meus favoritos.

. A PERSONAL JOURNEY WITH MARTIN SCORSESE THROUGH AMERICAN MOVIES
(1995, A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies, Martin Scorsese e Michael Henry Wilson)



São quase quatro horas que passam a voar. É uma experiência tremenda ouvir um realizador e historiador falar sobre um cinema que tanto admiro. Embora tenha caído na paródia, e muitos vezes interrogo-me se o ódio vem da indústria ou do país em si, o cinema de Hollywood sempre foi o grande agitador do panorama mundial. E, se é verdade que a indústria já conheceu melhores dias, também não é menos erróneo afirmar que existe muito bom cinema a sair de lá e o preconceito é, muitas vezes, injustamente irritante. Martin Scorsese analisa o cinema de outros tempos. E que belo cinema o era. E que bem estrturado é este documentário, que delícia é ouvir Scorsese sobre os seus filmes favoritos, sobre os filmes que mudaram a indústria, sobre as pessoas que nela trabalharam. E em instância última, Scorsese fez-me descobrir novo cinema, cinema que não conhecia e pelo qual me apaixonei. Como é que este documentário pode ser algo menos do que um filme da minha vida?

. L.A CONFIDENCIAL
(1997, L.A. Confidential, Curtis Hanson)



Paul Schrader e Martin Scorsese defendem que o film noir é só um estilo, um sub-género do crime/thriller; outros críticos vêm-no como um género propriamente dito, dada a sua influência e o período de mais de 15 anos onde foi fértil e vasto. Seja como for, é o estilo/género da minha vida. Dificilmente outro tipo de filme exemplifica de forma tão interessante a verdadeira natureza do ser humano. LA Confidential, baseado na homónima obra do polémico James Ellroy, é um épico do noir, uma história que em pouco mais de duas horas consegue conciliar três tramas distintas, desenrolar uma conspiração e, ao mesmo tempo, entreter enquanto cria sequências memoráveis, subversivas e surpreendentes. Curiosamente, esta lista
dos filmes da minha vida não inclui um
noir "verdadeiro". Double Indemnity, The Killers, The Big Heat, Out of the Past, Murder, My Sweet, The Night of the Hunter, This Gun for Hire, poderiam perfeitamente figurar na lista e seria apenas natural que isso se sucedesse dada a influência que tiveram no meu crescimento cinematográfico. Mas na verdade escolhi LA Confidential porque mee mostrou que o noir não está morto, o género/estilo em que mais acredito ainda tem uma palavra a dizer e pode ser levado a sério nos dias de hoje. O noir que é tantas vezes injustamente parodiado vê os seus subversivos contornos ridicularizados em obras infantis que falham em perceber a sua essência. Mas não L.A. Confidential, não o filme que me fez voltar a acreditar no noir contemporâneo.

. A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES + A BELA DE DIA
(1958, Vertigo, Alfred Hitchcock) + (1967, Belle de Jour, Luis Buñuel)





Dois filmes tão diferentes ligados por um elo comum: a obsessão. Separados por nove anos, as obras de Hitchcok e Buñuel foram-me muito marcantes pela forma como exploram a sexualidade, os mais íntimos e escondidos desejos animalescos e a poder da irracionalidade ante a racionalidade. Hitchcock, por um lado, é sempre mais reservado mas invariavelmente acutilante e venonoso. O seu humor negro faz deste Vertigo uma obra-prima, possivelmente o seu melhor e mais complexo filme. O trabalho de Buñuel é mais explícito, mas nem por isso menos complexo. E se Vertigo e Belle de Jour são ambos filmes da minha vida, são-nos dado o contexto e os claramente distintos períodos em que foram vistos o que, de certo modo, me levaram a retirar conclusões que ainda hoje observo, dia após dia, e justificam o cinema como a arte da vida em movimento, independentemente de quanto este é romanceado. Gostei de ver Hitchcock ser agressivo em 58 e gostei ainda mais da audácia de Buñuel em 67 ao explorar os desejos de uma mulher à mercê da sua insatisfação sexual. Por um lado, a obsessão pela figura, por outro, a obsessão pelo que nos é inerente e incontrolável. Hitchock e Buñuel, dois visionários, dois surrealistas à sua própria maneira, dois capazes de fazer um filme, um dos filmes da minha vida.

CAMINHO PARA DOIS
(1967, Two for the Road, Stanley Donen)



Vi-o numa altura muito peculiar da minha vida. Além de ser um dos mais cruéis e fiéis retratos da vida marital, mostrou-me uma outra Audrey Hepburn (paixão antiga) e o seu poder que vai muito além das suas afáveis e encantadoras personagens em Breakfast at Tiffany’s e Roman Holiday. A fita de Stanley Donen andou perdida no tempo. O homem responsável por Singin’ in the Rain ou Charade revelou uma enorme versatilidade e um excelente director de actores, nomeadamente, de Hepburn. Arriscaria a dizer que ela tem a sua melhor performance neste filme, não a mais carismática, mas a mais complexa e marcante. E todas as circustâncias que envolvem a relação entre Hepburn e Finney são tão reais quanto a sua própria natureza. Houvesse uma dose de humor mais elevada e um tom mais suave e estaríamos perante uma obra-prima de Woody Allen. No entanto não é Allen que toma as rédeas. É Donen e com ele o sarcasmo atinge limites ousados mas que resultam em prol de um fita que me fez pensar, e muito, sobre a felicidade, sobre relações e sobre o que significa passar uma vida com alguém ao nosso braço. Ainda hoje observo o que se passa à minha volta e vejo imagens de Two for the Road a querer marcar o teste do tempo, a mostrar que as relações, não obstante as restrições inerentes ao tempo em que são vividas, são intemporais. E intemporal é também a forma como estas são vividas.

< — A ORGIA DO PODER + OS HOMENS DO PRESIDENTE
(1969, Z, Costa-Gavras) + (1976, All the President's Men, Alan J. Pakula)





São dois filmes fundamentalmente diferentes é certo, mas são unidos pela qualidade do argumento, das interpretações, da realização, e claro está, do tema em comum: a corrupção nos corredores do poder. Ambos são longas-metragens de investigação, mas o que se revela verdadeiramente interesssante é o espectro em que ambas as películas foram concebidas e a, digamos, "aura" que as envolve. Por um lado, All the President’s Man (Alan J. Pakula) não me parece uma obra de Hollywood e, por outro, Z (Costa-Gravas) não me parece a típica obra Europeia. Ambos estão numa zona neutra, uma zona que não cede a pressões externas e mesmo assim critica, rasga e acusa. Foram filmes que me marcaram pelo seu realismo. Não sei se serão docu-dramas ou meros dramas, mas fascina-me a forma como se desenvolve a descoberta de uma conspiração. E não é fácil fazê-lo. Muitos foram os que tentaram e falharam (um das minhas maiores desilusões é The Parallax View, curiosamente do mesmo Pakula). Mas estas duas películas epitomizam o género de filme que um dia gostaria de fazer, marcaram-me pelo engenho do argumento (e quão difícil é escrever algo assim), pela simplicidade dos processos e pela mordaz crítica social, ainda que objectiva mas tantas vezes em subtexto.

Menção Honrosa: THE WIRE
(2002, The Wire, David Simon)



Muito simplesmente porque cada episódio é um filme de uma hora, melhor interpretado, escrito, dirigido e fotografado do que a maior parte do cinema contemporâneo. Divido em cinco temporadas, cada uma explorando uma problemática distinta na cidade de Baltimore mas unidas por um elo comum, The Wire é um épico do crime, uma obra incrivelmente realista e sensata. Mas tudo isto não é apenas sobre Baltimore. Essa cidade podia ser qualquer uma outra em qualquer país do mundo. É uma série que se desenvolve com um calculismo e uma frieza avassaladores, e as raízes da corrupção vão lentamente, episódio após episódio, temporada após temporada, sendo desnudadas. Não são os bravos quem ganham a guerra, porque não há bravos. E também não são os vilões, porque na verdade não há vilões. Há pessoas e dificilmente alguma série mostrou de forma mais explícita o que significa ser, em toda a sua latitude, uma "pessoa". É The Wire uma série ou uma longa, longa-metragem? Pode ser ambas diria. The Wire marcou-me profundamente como um analista da sociedade e fez-me olhar para o espectro televisivo como uma extensão da sétima arte, algo que nunca um produto televisivo havia feito antes.

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Obrigado, Filipe, pela tua participação!

quarta-feira, julho 13, 2011

#17



... segundo o David Martins, do blog Cine31:

Desde a infância os meus temas favoritos sempre envolveram o reino do fantástico e da ficção cientifica (esses géneros tão subestimados), o que explica grande parte dos filmes que revejo ou sinto vontade de rever mais vezes:

O SENHOR DOS ANÉIS — A IRMANDADE DO ANEL
(2001, The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Peter Jackson)



Um épico fruto do amor pela obra escrita, renascido no grande ecrã.

MATRIX
(1999, The Matrix, Larry e Andy Wachowski)



A revolução no modo de encenar a acção cinematográfica.

CINEMA PARAÍSO
(1988, Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore)



Uma visão romântica e cruel da devoção de vidas ao cinema.

DUNA
(1984, Dune, David Lynch)



Um filme de ficção atípico e subvalorizado.

A GUERRA DAS ESTRELAS
(1977, Star Wars: Episode IV — A New Hope, George Lucas)



Até ao momento, o filme que já vi mais vezes. Não me perguntem quantas, que já perdi a conta.

STAR TREK — O CAMINHO DAS ESTRELAS
(1979, Star Trek: The Motion Picture, Robert Wise)



Um filme lento, mas deslumbrante.

O TIGRE E O DRAGÃO
(2000, Wo hu cang long, Ang Lee)



Uma mistura única de poesia e artes marciais.

KILL BILL — A VINGANÇA
(2003, Kill Bill: Vol. 1, Quentin Tarantino)



Uma montanha de referências culturais que pariu um filme monumentalmente delicioso.

CONTACTO
(1997, Contact, Robert Zemeckis)



Uma inteligente hipótese sobre a próxima fronteira da espécie humana.

NAUSICAÄ OF THE VALLEY OF THE WIND
(1984, Kaze no tani no Naushika, Hayao Miyazaki)



Uma das primeiras obras-primas de Miyazaki.

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Obrigado, David, pela tua participação!

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