
Foram apresentados hoje de manhã, em conferência de imprensa, os títulos que marcarão a 62ª edição do Festival de Cannes.
Convido-vos à análise mais profunda da programação, dividida pelas respectivas secções em que os filmes estão inscritos. Os vencedores só serão conhecidos no dia 24 de Maio mas, até lá, há a certeza de que qualidade não estará ausente do certame:
Em Competição.
LOS ABRAZOS ROTOS, de Pedro Almodóvar

Filmado ao estilo
film noir dos anos 50, o novo filme de Almodóvar é narrado por Lluís Omar, um homem que escreve, vive e ama na obscuridade, sofrendo ainda com a morte de Lena (Penélope Cruz), a mulher da sua vida, num brutal acidente de viação há catorze anos atrás.
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BRIGHT STAR, de Jane Campion

Drama baseado na relação amorosa entre o poeta inglês John Keats (Ben Whishaw) e Fanny Brawne, interrompida abruptamente pelo falecimento de Keats aos 25 anos. O regresso de Jane Campion (vencedora da Palma de Ouro, em 1993, por
O PIANO) aos filmes situados no Séc. XIX.
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THE WHITE RIBBON [Das weiße Band], de Michael Haneke

Em 1913, estranhos acontecimentos têm perturbado a vida quotidiana de uma escola rural na Alemanha, no que aparenta ser um sistema de punição ritual. De que forma estes acontecimentos prejudicarão a existência daquela comunidade? Haneke e os seus "territórios perigosos" regressam a Cannes.
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TAKING WOODSTOCK, de Ang Lee

Baseado numa autobiografia de James Schamus (que também assina o argumento), é a história de Elliot Tiber (Demetri Martin), um aspirante a
designer de interiores que se debate com a sua homossexualidade escondida e dependência de drogas durante o mais famoso festival musical dos anos 60. Ang Lee coloca, uma vez mais, a sua versatilidade à prova do mundo cinéfilo.
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LOOKING FOR ERIC, de Ken Loach

Um adepto fervoroso de futebol (Matthew McNulty) procura sair das crises que afectam a sua vida. Entre as várias ajudas que se lhe deparam, é brindado pelo
life coaching do filosófico ex-futebolista Eric Cantona. Uma sinopse que adivinha um projecto de curiosa natureza.
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SOUDAIN LE VIDE, de Gaspar Noé

A história de Oscar que, após a morte brutal dos seus pais, promete à irmã mais nova que nunca a abandonará. Embora pouco tenha sido divulgado, a reputação de Gaspar Noé (
IRREVERSÍVEL) nunca augura películas de simples visualização.
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THIRST [Bakjwi], de Park Chan-wook

Uma experiência médica desastrosa transforma um padre (Song Kang-ho) num vampiro. Convicto em não sucumbir às exigências "nutricionais", começa a roubar sangue para transfusões e, apesar de inibido de sensações humanas, apaixona-se por Tae-ju (Kim Ok-bin), uma mulher infeliz com a sua própria vida.
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INGLORIOUS BASTERDS, de Quentin Tarantino

Na França ocupada pelas tropas nazis, durante a Segunda Guerra Mundial, o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) organiza uma milícia de soldados judeus motivados por um desejo de retribuição da violência racial praticada pela Alemanha.
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VENGEANCE, de Johnnie To

Um assassino profissional Francês (Johnny Hallyday) viaja para Hong Kong para vingar o homicídio da sua família. Para tal, assume o disfarce de um
chef de culinária.
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ANTICHRIST, de Lars Von Trier

Um casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) decide recuperar da morte do filho numa cabana localizada nas profundezas de uma floresta. Aí, descobrem que Satanás ganhou forma e controla o Mundo. As primeiras imagens comprovam a expectativa que rodeia este filme, sendo o terror psicológico — em todas as suas formas — um dos talentos mais visíveis de Lars Von Trier.
Un Certain Regard.
PRECIOUS, de Lee Daniels

Anteriormente denominado
Push: Based on the Novel by Sapphire, é já um dos fenómenos cinematográficos de 2009. Vencedor do Grande Prémio do Júri no último Festival de Sundance, é um retrato social de uma adolescente que reside em Harlem.
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MOTHER, de Bong Joon-ho

Denunciado, sob argumentos falsos, de um crime que não cometeu, uma mãe (Bin Won) recorrerá a todos os meios para provar a inocência do próprio filho (Ku Jin). Um novo desafio proporcionado pelo realizador de
THE HOST — A CRIATURA.
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À DERIVA, de Heitor Dehalia

Situado nos anos 80, retrata as angústias da adolescente Filipa (Laura Leto) que viaja para uma estância balnear com os seus pais (Vincent Cassel e Débora Bloch), cujo casamento está em plena destruição. Neste cenário, Filipa descobre questões como a infidelidade, a intolerância e a morte.
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MORRER COMO UM HOMEM, de João Pedro Rodrigues

Assinalando a presença portuguesa mais sonante da presente edição, conta a história de Tonia, um travesti lisboeta, que abandonou a sua identidade dupla e iniciou uma série de intervenções de cirurgia plástica que a transformaram, socialmente, numa mulher.
Fora de Competição.
UP, de Pete Docter e Bob Peterson

Carl Fredricksen (Edward Asner), um reformado vendedor de balões com 78 anos, decide cumprir o sonho da malograda esposa em conhecer a América do Sul. Equipando a sua própria casa com inúmeros balões, transforma-a num objecto de voo controlado. Mas Carl terá a companhia inesperada de Russell, um bonacheirão escuteiro de 8 anos...
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AGORA, de Alejandro Amenábar

Épico histórico centrado na relação da astróloga Hipátia de Alexandria ( Rachel Weisz) com o seu escravo Davus (Max Minghella), o qual divide-se entre o amor que nutre pela sua amante e a liberdade que o crescente movimento do Cristianismo poderá conceder-lhe.
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THE IMAGINARIUM OF DR. PARNASSUS, de Terry Gilliam

O Doutor Parnassus (Christopher Plummer), indivíduo imortal que conta 1000 anos de existência, lidera um grupo itinerante de artistas de teatro que oferece ao seu público a possibilidade de viajar através de um espelho mágico. Um filme em destaque por tratar-se do último trabalho de Heath Ledger.
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DRAG ME TO HELL, de Sam Raimi

Quando Christine (Alison Lohman) desaprova a extensão de um benefício (como forma de provar ao seu superior que é capaz de tomar decisões delicadas) a uma cliente idosa, a furiosa decana roga-lhe uma maldição que ameaça a jovem profissional de seguros a um destino eterno no Inferno. Sam Raimi despega-se do
franchising HOMEM-ARANHA e regressa às ambiências de terror que o celebrizou.
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COCO CHANEL & IGOR STRAVINSKY, de Jan Kounen

Paris, 1913. Coco Chanel (Anna Mouglalis) deixa-se seduzir pelo ballet «A Sagração da Primavera», de Igor Stravinsky (Mads Mikkelsen) e logo nasce uma relação dominada pela moda, música e paixão. Primeiro
biopic de 2009 sobre a estilista francesa, estando já preparado
COCO AVANT CHANEL, protagonizado por Audrey Tautou.
N.B.: A lista detalhada dos filmes a exibir em Cannes pode ser consultada
aqui.