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sábado, setembro 08, 2012

Festival de Veneza 2012 — Os Vencedores



Ao décimo primeiro e último dia de Festival, num atribulado anúncio marcado pela confusão na entrega de alguns dos prémios, o júri presidido por Michael Mann atribuiu o Leão de Ouro da 69ª edição do Festival de Veneza a PIETÀ, de Kim Ki-Duk.



Outro grande vencedor do certame é THE MASTER, com Paul Thomas Anderson a arrecadar o Leão de Prata (Melhor Realizador), enquanto Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman receberam, ex-aequo, a Coppa Volpi de Melhor Actor.



O prémio de Melhor Actriz foi para Hadas Yaron por LEMALE ET HA’CHALAL (de Rama Bursthein).





Os restantes prémios ficaram assim distribuídos:

Prémio Especial do Júri: PARADIES: GLAUBE, de Ulrich Seidl.

Prémio Marcello Mastroianni (Melhor Actor/Actriz Jovem): Fabrizio Falco, por LA BELLA ADDORMENTATA (Marco Bellocchio) e È STATO IL FIGLIO (Daniele Ciprí).

Melhor Argumento: Olivier Assayas, por APRÈS MAI.

Prémio Melhor Contributo Técnico (Fotografia): È STATO IL FIGLIO, de Daniele Ciprì.

Prémio 'Luigi de Laurentiis' para Melhor Filme de Estreia: KÜF, de Ali Aydin.

O palmarés completo pode ser consultado aqui.

[Imagens: AFP e Getty Images.]
[Vídeo: canal do YouTube do Festival.]

terça-feira, setembro 04, 2012

Festival de Veneza 2012 — Dias 6 e 7



Sexto e chuvoso dia de Festival...



... mas, em Veneza, o Cinema é sempre o melhor abrigo.

. OUTRAGE BEYOND, de Takeshi Kitano (Selecção Oficial)

Takeshi Kitano, a distribuir autógrafos, só é antipático nos seus filmes

«The Japanese action aesthete plays it cool and smooth in a picture that exerts a steadily tightening grip, though not until after a first hour of near-impenetrable gangster gab that may leave the uninitiated feeling stranded. »
Justin Chang, in Variety.

«A tough slog at first, Takeshi Kitano's latest yakuza crime spree should come with an explanatory manual, but the cumulative payoff of nasty humor, intrigue and visceral kill thrills is considerable.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.



. APRÈS MAI, de Olivier Assayas (Selecção Oficial)

Assayas, ao centro, com o elenco do seu novo filme

«Olivier Assayas has made a distinctive and nuanced film about the much-chronicled post-1968 years of radical European politics, as well as providing droll insight into his self-discovery as an artist.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

«The press notes for the film talk of the present generation living in an 'eternal present', with no sense of history or purpose. This could well be the case, but on the evidence of his latest effort, it would appear that Assayas' nostalgia is misplaced - and, more importantly, cinematically uninteresting.»
John Bleasdale, in Cine-Vue.



. DISCONNECT, de Henry Alex Rubin (Fora de Competição)

O compositor Max Richter, Henry Alex Rubin e Lily Cole na sessão de gala

«Sleekly assembled and propelled by some strong performances, Henry-Alex Rubin's drama about the toll of technology on human connection says little that hasn't been said many times before.»
David Rooney, in The Hollywood Reporter.

Sétimo dia de Festival com importante presença portuguesa.

. PIETA, de Kim Ki-Duk (Selecção Oficial)

O realizador Kim Ki-duk com os actores Lee Jung-jin e Jo Min-soo

«As is often the case with Kim’s work, it’s far from an easy watch: repetitive, bruising and grim, set in a scuzzy part of the world, full of even scuzzier people. The filmmaking is unshowy and relatively matter-of-fact, yet the content is almost anything but.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.

«Though the appreciable ending will be what festival juries remember when the prizes are being handed out — and female lead Cho Min-soo is bound to be a contender at Venice — it’s not an exaggeration to say there’s not a single pleasant moment in the film’s first half, and most Western audiences are going to find this very tough going.»
Deborah Young, in The Hollywood Reporter.



. LINHAS DE WELLINGTON, de Valeria Sarmiento (Selecção Oficial)

Valeria Sarmiento com o elenco feminino de LINHAS DE WELLINGTON

«Sarmiento sometimes risks spinning the film into a memorial special; an overstuffed revue show, pulling in too many directions. For all that, she delivers the tale with a gusto that would have made Ruiz proud.»
Xan Brooks, in The Guardian.

«Somewhat turgid, and hardly exceptional. But it’s also handsome, generally well acted when the performers stick to their first language, and a detailed and smart look at a point in history that’s likely little-known outside of Portugal.»
Oliver Lyttelton, in indieWIRE.



--//--

[Fotos: AFP, Reuters e Getty Images.]
[Vídeos: Canal do YouTube do Festival.]

domingo, agosto 26, 2012

Festival de Veneza 2012 — Antevisão



Veneza prepara-se para acolher, a partir do próximo dia 29 e até 8 de Setembro, a 69ª edição de um dos principais festivais de cinema mundiais.

2012 assinala o primeiro ano de Alberto Barbera enquanto director artístico do Festival, e a mudança já se fez sentir — uma selecção oficial mais reduzida em comparação com as edições anteriores mas enorme em qualidade dos nomes reunidos e consequente expectativa gerada.

O júri internacional, presidido este ano pelo realizador Michael Mann, irá avaliar cerca de vinte obras para decidir qual será o galardoado com o Leão de Ouro para Melhor Filme, de uma selecção que o Keyzer Soze apresenta, de seguida, os seus destaques:

  • Em Competição

  • . THE MASTER, de Paul Thomas Anderson



    Um veterano da Marinha (Joaquin Phoenix) regressa a casa depois da Guerra perturbado e incerto relativamente ao seu futuro — até ao momento em que é aliciado para A Causa e pelo seu carismático líder (Philip Seymour Hoffman).

    . APRÈS MAI, de Olivier Assayas



    Paris, início dos anos 70. Gilles (Clement Metayer) é um estudante secundário completamente embrenhado na efervescência política e criativa do seu tempo, oscilando, tal como os seus colegas, entre o compromisso radical e as aspirações pessoais. Das primeiras experiências sexuais até às revelações artísticas durante uma viagem que termina em Londres, Gilles e os seus amigos terão de fazer escolhas cruciais de forma a encontrarem o seu rumo.

    . BELLA ADDORMENTATA, de Marco Bellocchio



    A história dos últimos seis dias de Eluana Englaro (cujo falecimento nunca ficou totalmente esclarecido) e a sua interacção com uma série de personagens fictícias de diferentes credos e ideologias.

    . PASSION, de Brian De Palma



    Christine (Rachel McAdams) retira prazer do controlo que exerce sobre a jovem e ingénua Isabelle (Noomi Rapace), conduzindo-a cada vez mais longe num jogo de manipulação e sedução, domínio e humilhação. Mas quando Isabelle dorme com um dos amantes de Christine, a guerra instala-se. Na noite do homicídio, Isabelle foi assistir a um bailado, enquanto Christine recebe um convite sedutor. De quem? Ela adora surpresas e dirige-se nua para o quarto onde o amante misterioso a aguarda...

    . PIETA, de Kim Ki-duk



    Contratado por prestamistas, um homem (Jo Min-soo) vive da tarefa, ameaçadora e brutal, de cobrar dívidas a várias pessoas. Sem família nem nada a perder, leva a cabo o seu trabalho independentemente da dor que causa a uma série de famílias. Até ao dia em que uma mulher (Lee Jung-jin) afirma ser a sua mãe. Rejeitando-a friamente à primeira, o homem aceita-a, gradualmente, na sua vida.

    . OUTRAGE BEYOND, de Takeshi Kitano



    A família criminosa Sanno subiu ao estatuto de enorme organização, expandindo o seu poder junto das esferas políticas e das grandes empresas legítimas. Os altos quadros da família Sanno são agora ocupados por jovem executivos, relegando os membros mais velhos para um patamar secundário. Essa fragilidade na hierarquia dos Sanno é exactamente o que detective Kataoka procurava, num momento em que a polícia se prepara para levar a cabo uma rusga a larga escala.

    . SPRING BREAKERS, de Harmony Korine



    Durante uma operação stop, quatro universitárias são detidas pela polícia por posse de estupefacientes. Durante a sua audição em tribunal, a fiança das raparigas é inesperadamente paga por Alien (James Franco), um infame bandido local de coração doce, que lhes proporcionará uma louca viagem de férias.

    . TO THE WONDER, de Terrence Malick



    Após visitarem o Mont Saint-Michel — em tempos denominado pelos franceses como "A Maravilha" (the Wonder) — no auge da sua paixão, Marina (Olga Kurylenko) e Neil (Ben Affleck) mudam-se para o Oklahoma, onde os problemas não tardam em surgir. Marina faz amizade com um padre (Javier Bardem) a atravessar uma crise de fé, e Neil renova os laços com uma amiga de infância, Jane (Rachel McAdams).

    . SINAPUPUNAN, de Brillante Mendoza



    Após sofrer o seu terceiro aborto espontâneo, Shaleha agoniza por não conseguir conceber uma criança. Sentindo que o seu marido Bangas An deseja ser pai, ela decide arranjar-lhe uma companheira mais nova. Dia e noite, Shaleha e o marido procuram nas comunidades vizinhas por uma mulher fértil para Bangas An.

    . LINHAS DE WELLINGTON, de Valeria Sarmiento



    Depois das tentativas comandadas por Junot (1807) e Soult (1809), Napoleão Bonaparte envia um novo e poderoso exército, comandando pelo Marechal Massena, para invadir Portugal em 1810. Os franceses alcançam, facilmente, o centro do país, mas o exército Anglo-Português, liderado pelo General Wellington (John Malkovich), aguarda-os...

    . PARADIES: GLAUBE, de Ulrich Seidl



    Para Annamaria, uma técnica de raios-x, o paraíso reside em dedicar as férias a trabalho missionário. Na sua peregrinação diária em Viena, ela vai de porta em porta transportando uma estátua da Virgem Maria. Um dia, depois de vários anos sem dar notícias, o seu marido, um muçulmano egípcio confinado a uma cadeira de rodas, regressa a casa. Os cânticos e as orações de Annamaria confundem-se com quezílias.

  • Fora de Competição

  • . ENZO AVITABILE MUSIC LIFE, de Jonathan Demme



    Filme sobre Enzo Avitabile, a sua música e Nápoles, que surge da estima recíproca entre dois artistas — Jonatham Demme é, há muito, fã do trabalho de Enzo, conhecido no mundo musical como um apaixonado pela pesquisa e experimentação artística.

    . LULLABY TO MY FATHER, de Amos Gitai



    Amos Gitai narra a história do seu pai, Munio Weinraub, estudante na escola de design e arquitectura Bauhaus, na cidade de Dessau, até ao seu encerramento por Hitler em 1933. Em Maio do mesmo ano, Weinraub é acusado de "traição contra o povo alemão", aprisionado e expulso da Alemanha.

    . BAD 25, de Spike Lee



    Documentário comemorativo do 25º aniversário do álbum 'Bad' de Michael Jackson.

    . THE RELUCTANT FUNDAMENTALIST, de Mira Nair



    Demonstrações estudantis grassam por Lahore, enquanto o jovem professor paquistanês Changez Khan (Riz Ahmed) revela ao jornalista Bobby Lincoln (Liev Schreiber) o seu passado como brilhante analista financeiro em Wall Street, o futuro promissor que tinha à sua frente e de como o iria partilhar com a sofisticada Erica (Kate Hudson). Mas o 11 de Setembro alterou todos os seus planos.

    . O GEBO E A SOMBRA, de Manoel de Oliveira



    Apesar da idade e do cansaço, Gebo (Michael Lonsdale) persegue a sua actividade de contabilista para sustentar a família. Vive com a mulher, Doroteia (Claudia Cardinale), e a nora, Sofia (Leonor Silveira), mas é a ausência do filho, João (Ricardo Trêpa), que os preocupa. Gebo parece esconder algo em relação a isso, em particular a Doroteia, que vive na espera ansiosa de rever o seu filho. Sofia, do seu lado, espera também o regresso do marido, ao mesmo tempo que o teme. Subitamente, João aparece e tudo muda.

    . THE COMPANY YOU KEEP, de Robert Redford



    Jim Grant (Robert Redford) é um advogado dos direitos civis e pai solteiro que educa a filha nos tranquilos subúrbios de Albany. A sua vida muda completamente quando um jovem jornalista, Ben Shepard (Shia LaBeouf), expõe a verdadeira identidade de Grant: um fugitivo radical e anti-guerra que, nos anos 70, foi procurado por homicídio.

    O programa completo, incluindo as secções secundárias, pode ser consultado no site oficial do Festival.

    [Fotos: Cine.gr, CINeol, Movieplayer e Screenweek.]

    quinta-feira, junho 30, 2011

    A "Polémica" do Mês #3

    Como a blogosfera cinéfila nacional divergiu, este mês, sobre CARLOS, de Olivier Assayas.





    «Essa câmara ao ombro do cineasta admira a figura de Carlos, mas sobretudo os seus gestos de veneração pelas armas e mulheres, ao mesmo tempo que nos seduz enquanto espectadores. O seu charme domina o ecrã, assim como o seu ego lhe domina a alma.»
    Tiago Ramos, Split Screen.



    «Mesmo electrizante, CARLOS não deixa de sofrer dos seus defeitos, nomeadamente a falta de aprofundamento das personagens, quase todas demasiado planas, bem como a falta de aprofundamento histórico das situações (...).»
    Miguel Domingues, In a Lonely Place.



    «Híbrido como muitos híbridos feitos para ficarem bem nas capas das caras revistas de paris e nos seus textos versando essa contaminação das imagens e dos formatos. CARLOS, coisa nenhuma.»
    José Oliveira, Raging-B.

    segunda-feira, setembro 20, 2010

    CARLOS (2010), de Olivier Assayas



    Vertiginoso, explosivo, globetrotting e absolutamente obrigatório. Breves palavras para descrever o "enorme" CARLOS, biopic acerca do terrorista mais mediático da era pré-Osama Bin Laden. Exibido fora de competição durante a última edição do Festival de Cannes numa versão com cinco horas e meia, e emitido em três partes pelo Canal+, Olivier Assayas executa, até à data, o seu projecto mais ambicioso, almejando, aparentemente, a "reabilitação" junto do público e crítica após as reacções mornas a TEMPOS DE VERÃO (2008) e BOARDING GATE (2007).

    Não abdicando do seu estilo próprio de realização — de câmara ao ombro e montagem "palpitante" —, o principal trunfo de Assayas reside na complexa tarefa de não só retratar, com bastante neutralidade, a vida de um homem que foi tudo menos pacífica e, ao mesmo tempo, elaborar o testemunho impressionante de um zeitgeist (a saber, os anos 70 do Séc. XX) em que a Europa era cenário privilegiado para tira-teimas dos vários conflitos que grassavam no Médio Oriente e onde assaltar um avião parecia ser tão fácil quanto o moderno fenómeno do carjacking.



    Financiado por toda a organização opositora aos EUA e Israel (desde a FPLP até aos serviços secretos iraquianos, libaneses, sírios e líbios), o venezuelano Ilich Ramírez Sánchez assumiu o 'nom de guerre' Carlos para ameaçar os «interesses do capitalismo imperialista» no mundo árabe através da força e de uma série de golpes que o tornaram num dos primeiros criminosos perseguidos mundialmente.

    Como demonstração do que o levou a conquistar tal "estatuto", o filme recria, com notável detalhe e realismo, os planos mais radicais de Carlos, sendo pontos altos sequências como a espectacular tentativa de explodir um avião da El Al recorrendo a rockets disparados do parque de estacionamento do aeroporto de Orly ou a turbulenta tomada de reféns durante uma cimeira da OPEP em Viena.



    Mas CARLOS não se limita a acções de terrorismo político. Há espaço para uma abordagem quase pormenorizada das relações pessoais do protagonista, assim como da postura que assumiu em diversas ocasiões e que terão, simultaneamente, alimentado simpatia e repugnância populares. «Sou um soldado e não um mártir!», exclama Carlos a certa altura, quando recusa levar a cabo um banho de sangue (com ele incluído) durante o irregular desenvolvimento de uma negociação de reféns, não obstante a pressão dos restantes membros do seu grupo.

    Embora seja de concepção intrinsecamente cinematográfica, a fragmentação de CARLOS para a emissão televisiva em três partes distintas — ascensão, auge e queda do protagonista — permite a adequada retenção de nomes, locais e situações pelo espectador. Na sua longa duração, poucos sentirão tédio. O argumento de Olivier Assayas (apoiado nessa tarefa por Dan Franck, um dos argumentistas mais profícuos da Europa) é excelso na criação de elipses narrativas que nos mantêm sempre na "rota" dos acontecimentos, mesmo que seja escasso o nosso conhecimento do tema.



    Mas a verdadeira estrela é Edgar Ramirez na pele de Carlos, 'O Chacal' (curiosamente, uma alcunha nunca mencionada em todo o biopic), que se transfigura física, psicológica e até idiomaticamente (o actor expressa-se, pelo menos, em seis línguas diferentes) para capturar impecavelmente o ego enorme, charme considerável e manifesta disposição para a criminalidade da personalidade representada. Dominando o filme de uma ponta à outra, Ramirez apenas encontra "adversário" na breve presença de Ahmad Kaabour, reputado compositor libanês, enquanto Wadie Haddad, carismático líder das FPLP.

    No cômputo geral, CARLOS é obra definitivamente a não perder. O próprio Ilich Ramírez Sánchez, presentemente a cumprir pena perpétua em França, já o viu. E deve ter ficado deveras "fascinado", pois interpôs um processo judicial exigindo o pagamento de royalties pela utilização da sua imagem. Mas isto é fantástico ou quê?!

    quinta-feira, maio 20, 2010

    Festival de Cannes 2010 — Dia 8



    Hoje foi um dia plenamente dominado (em vários sentidos) pelo biopic CARLOS, de Olivier Assayas, sobre o infame terrorista venezuelano conhecido como 'O Chacal':



    Cumprindo a tradição do Festival em projectar um filme de longuíssima duração (recordam-se das quatro horas de CHE, em 2008?), o novo filme de Assayas foi exibido, fora de Competição, numa versão de cinco horas e meio(?!), detalhando a vida, paixões e percurso criminoso de Ilich Ramírez Sánchez durante duas décadas. Édgar Ramírez assume o protagonismo de uma película extremamente aclamada pela crítica, salientando que «política internacional, terrorismo, História, religião e sexo são tratados com impressionante destreza, inteligência e habilidade». Com tanto elogio, é motivo para nos questionarmos: e se CARLOS estivesse no lote de candidatos à Palma de Ouro?



    De assinalar, em competição na secção «Caméra d’Or», a projecção de SCHASTYE MOE/MY JOY, primeiro filme do realizador ucraniano Sergei Loznitsa:



    Uma viagem ao lado negro da Rússia, o que só torna irónico a utilização do termo "alegria" no título, o filme, segundo o word-of-mouth que provém de Cannes, «possui lampejos de brilhantismo mas, no fim, deixará o espectador mais perplexo que consolado». Aos jornalistas, o realizador falou do processo criativo e dificuldades de financiamento que rodearam esta produção de cariz tão incomum: «O argumento explicava bem os moldes do filme, portanto já se sabia o que esperar. Quisemos fazê-lo em co-produção com a Rússia mas, na sua impossibilidade, decidimos filmá-lo ao longo da fronteira russa». Quanto ao teor contraditório do título, Sergei Loznitsa foi peremptório: «Porque soava a algo muito "porreiro"!».

    Olga Shuvalova, a jovem protagonista de um filme onde a alegria apenas existe no nome

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